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Embora o sistema público de saúde atue de forma exemplar
em alguns setores, em outros ainda apresenta deficiências, especialmente
porque faltam recursos e ações das autoridades responsáveis
para a efetiva implementação de todas as atividades que
cabem ao SUS. Por outro lado, nem mesmo aqueles cidadãos que possuem
planos de saúde, arcando com os altos preços das mensalidades,
conseguem a garantia de assistência satisfatória, já
que, objetivando o maior lucro, as empresas desse setor impõem
limitações (muitas delas recusam-se a tratar diversas doenças
e a cobrir os procedimentos mais custosos) e dificuldades até mesmo
ilegais aos consumidores.
Nesse sentido, o Idec já ajuizou dezenas de ações
judiciais discutindo principalmente os reajustes aplicados por diversas
operadoras; elaborou e publicou o guia de planos de saúde; realizou
análises de contratos oferecidos pelas operadoras de planos e seguros
de saúde; participou da Câmara de Saúde Suplementar,
órgão consultivo da ANS e também de Câmaras
Técnicas do órgão; remete ofícios à
ANS, questionando posturas adotadas por esse órgão e reivindicando
providências para a efetiva proteção dos consumidores;
é um dos organizadores do Fórum Nacional de Regulamentação
dos Planos e Seguros de Saúde.
Dando continuidade a esse trabalho, a entidade realizou, no final do
ano de 2002, um teste para avaliar o cumprimento da legislação
específica do setor privado por parte de 8 grandes empresas. Os
resultados dessa pesquisa foram intensamente noticiados pelos veículos
de imprensa e, embora a ANS - Agência Nacional de Saúde Suplementar
não tenha tomado qualquer medida efetiva para apurar e corrigir
os desrespeitos detectados pelo Idec, as notícias e as orientações
e alertas, extraídos a partir da experiência adquirida com
o teste, foram de grande valia para os consumidores.
Além disso, o teste foi fato determinante para a instalação
da CPI - Comissão Parlamentar de Inquérito dos Planos e
Seguros de Saúde. A CPI foi instalada na Câmara dos Deputados
justamente para apurar as irregularidades do setor e abusos contra os
direitos dos consumidores. Os trabalhos dessa Comissão, realizados
em 2003, duraram cerca de cinco meses e houve participação
intensa do Idec, inclusive em audiência especial com os deputados.
O balanço geral da CPI registrou algumas conquistas, mas ainda
muito tímidas para garantir a efetiva proteção do
consumidor. Entre as boas medidas podemos citar as recomendações
dos parlamentares à ANS para que seja adotada uma política
que permita a redução progressiva do reajuste máximo
admitido entre a primeira e a última faixa etária dos planos;
e para que sejam criados mecanismos de desconto nos reajustes por faixa
etária proporcionais ao tempo de plano do usuário. Além
disso, o relatório da CPI também recomendou à ANS
que se estabeleça uma política de reajuste mais transparente,
assim como a adoção de maior rigor na fiscalização.
Ressalta-se que todos os problemas já vinham há muito tempo
sendo apontados pelo Idec.
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