Consumidor S.A. Online

Edição 62
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Água


CHEIRO DE INSETICIDA

Excesso de dejetos afeta a qualidade do produto em São Paulo, no Rio e em Curitiba.

Os moradores das regiões Sul e Sudeste da capital paulista continuam recebendo água malcheirosa e com gosto ruim. O problema veio à tona no fim de agosto e, apesar de a Sabesp –concessionária responsável pelo abastecimento na cidade de São Paulo– garantir que a situação se regularizou, alguns consumidores ainda estão insatisfeitos com a qualidade da água, fornecida pela represa de Guarapiranga. As consumidoras Simone Kirillos e Sandra Spinelli, por exemplo, declararam que um forte cheiro de inseticida permanece no produto. Segundo a concessionária, o incidente foi causado pela proliferação de algas na represa (saiba mais abaixo). Ocorrências similares também aconteceram em algumas cidades do Grande ABC, no Rio de Janeiro e em Curitiba.
Na época em que surgiram as primeiras queixas em São Paulo, o Idec exigiu esclarecimentos à Sabesp, ao Centro de Vigilância Sanitária da capital e ao Ministério Público. O Instituto tomou a atitude com o objetivo de fazer valer dois direitos dos consumidores que estavam sendo violados, apesar de previstos pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC): o direito de informação e a garantia de que um serviço público deve ser prestado de forma eficaz e adequada.

Sabesp não mostra laudo

Apenas o Ministério Público não retornou ao Idec. Quanto aos demais, as respostas nem sempre foram satisfatórias. A Sabesp, por exemplo, declarou que “em nenhum momento a água deixou de ser própria para o consumo humano”. A portaria do Ministério da Saúde no 36/90, no entanto, determina que a ausência de gosto e odor são requisitos fundamentais para se considerar uma água potável.
Já o CDC determina que a concessionária do serviço, no caso a Sabesp, deve oferecer informações claras, corretas e precisas sobre a segurança e os padrões de potabilidade da água. A Sabesp afirmou que a grande cobertura por parte da mídia tornou desnecessário que ela adotasse outras medidas de aviso à população. Para a advogada do Idec Maria Inês Dolci, no entanto, uma boa sugestão seria a prestadora usar a fatura para informar os usuários acerca do problema.
Outro problema é a falta de provas de que consumir uma água com algas não faz mal à saúde. Sandra conta que solicitou uma cópia dos relatórios técnico-científicos que comprovam a ausência de riscos. “A Sabesp apenas diz que, apesar do cheiro e gosto ruins, a água não é nociva. Mas até agora não me enviou nenhum documento como prova”, desabafa. Simone concorda: “se a empresa informasse melhor, eu não ficaria tão insegura”. O Idec também não obteve essa resposta. No esclarecimento enviado ao Instituto, a Sabesp não anexou nenhum laudo que comprove o fato.
Enquanto a situação não se define, alguns consumidores estão arcando com o prejuízo. Sandra e Simone, por exemplo, apenas consomem água mineral, mesmo tendo de pagar pelo produto.

Problemas similares no ABC

Os consumidores residentes em São Bernardo, Diadema e Santo André também estão sentindo um forte odor e gosto ruim na água que chega às suas casas. A situação na região é ainda pior do que na capital, uma vez que a Sabesp teve de adotar o rodízio para manter a qualidade do produto. Com isso, a concessionária espera que a proliferação de algas, que também motivou as alterações da água, seja minimizada com o aumento de sua decantação (purificação).
Desde o final de outubro, 1,2 milhão de consumidores estão sofrendo com a falta de água fornecida pelo Sistema Rio Grande, além das péssimas condições do produto. A cidade de Diadema foi a mais prejudicada. A região chegou a ficar com o abastecimento alternado: um dia com água e outro sem.


O QUE GEROU A PROLIFERAÇÃO DE ALGAS

Segundo as respectivas concessionárias, a água está com cheiro e gosto ruins graças à grande quantidade de dejetos lançada nas margens das represas Guarapiranga, Rio Grande e do Rio Guandu.
A Sabesp, de São Paulo, admitiu que a situação gerou uma proliferação de algas do gênero Anabaena, responsáveis pela produção da molécula Geosmina, que modifica as propriedades da água. O mesmo aconteceu em Curitiba e, aparentemente, no Rio de Janeiro.
Para resolver o problema, a empresa intensificou o uso de carvão ativado em pó, uma substância química, no processo de tratamento do produto. A Sabesp alegou, ainda, que faz análises periódicas da água e tem investido em pesquisa e desenvolvimento para resolver a proliferação de algas.
O órgão responsável pela fiscalização do serviço da Sabesp é o Centro de Vigilância Sanitária. Na resposta enviada ao Idec, no entanto, a Vigilância mostrou apenas acompanhar o trabalho da concessionária a distância, por meio de seus relatórios.


ÁGUA TAMBÉM ESTÁ RUIM EM CURITIBA E NO RIO

Além de São Paulo, os consumidores de duas grandes capitais do país estão sofrendo com a qualidade irregular da água. No Rio, moradores do município e da Baixada Fluminense foram atingidos pelo mau cheiro do produto, além da posterior redução de seu fornecimento com o intuito de combater o problema.
Segundo a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), a situação foi ocasionada pelas fortes chuvas de novembro último que arrastaram para o Rio Guandu, responsável pelo abastecimento naquela região, uma enorme quantidade de lixo.
Um exame feito pelo Instituto BioRio, a pedido da Cedae, mostrou a inexistência de composto orgânico prejudicial à saúde na água distribuída pela concessionária. No entanto, ainda prevalece a portaria do Ministério da Saúde, que considera essencial a ausência de odor e gosto para a potabilidade. Assim como agiu em São Paulo, o Idec também irá cobrar providências da Cedae, do Ministério Público e do Centro de Vigilância Sanitária acerca do ocorrido no Rio.
O aumento de algas também prejudicou a qualidade da água fornecida pela represa do Rio Iraí, em Curitiba, conforme informou a edição de Consumidor S.A. de agosto-setembro de 2001. Cerca de um milhão de consumidores curitibanos foram afetados pelo problema. Veja mais informações, clicando aqui.


CONTATOS

Se você desconfiar da qualidade da água fornecida ou quiser obter maiores informações, entre em contato com as empresas responsáveis pelo abastecimento de sua cidade. Em São Paulo, ligue para o Disque-Sabesp: 0800-119911 ou para a Ouvidoria da concessionária: 0800-55056. No Rio, o telefone da Cedae é 0800-2821195. Em Curitiba, a Sanepar atende pelo número 195.

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