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Edição 62
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Juros


PENSE NO FUTURO

Economize e compre à vista. Com taxas de juros tão elevadas, você pagará caro pelas prestações e poderá ficar muito endividado.

Antes de gastar seu 13º salário com os presentes de Natal, é importante ficar atento às formas de pagamento das compras a prazo. As possibilidades de crédito são muitas: empréstimo pessoal, cheque pré-datado, cheque especial, crediário e cartão de crédito. Mas todas apresentam taxas de juros reais (juros – inflação) muito elevadas e devem ser evitadas. Estimulado pela propaganda, você poderá gastar além do seu orçamento e se endividar.

Fuja dos financiamentos. Comprometer-se no pagamento de um bem por um período muito longo é arriscado, pois imprevistos poderão acontecer neste intervalo. Na maioria das operações de crédito, os juros mensais chegam a superar a inflação prevista para o ano inteiro. É mais vantajoso fazer uma aplicação na poupança e aguardar alguns meses até ter dinheiro suficiente para comprar à vista.

Desde a implantação do Plano Real, em julho de 1994, temos a impressão de estar convivendo com taxas de juros menores e com a inflação controlada. Estamos enganados. Os juros continuam elevados e, na maioria das vezes, abusivos. Portanto, não se deixe seduzir pelas incríveis ofertas do mercado e saiba um pouco mais sobre as cinco principais modalidades de crédito.

Cheque especial: O limite de crédito concedido pelo banco varia de acordo com a renda do cliente e com a avaliação de risco feita pela instituição financeira. Muitas pessoas acabam incorporando o valor do cheque especial à renda mensal, e passam a usá-lo sempre.
Uma pesquisa do Banco Central de setembro de 2001 revelou que, agindo assim, o correntista pagaria juros médios de 176,7% ao ano, quando a inflação do período deve ficar em torno de 7%. Portanto, evite entrar no limite do cheque e só conte com ele em situações de emergência. Se contrair uma dívida, tente liqüidá-la por meio de um empréstimo pessoal, pois os juros desta modalidade de crédito são menores.

Cartão de crédito: é uma das formas de financiamento que mais cresce no país. O dinheiro de plástico permite concentrar todas as compras numa única data de vencimento e, algumas vezes, ganhar alguns dias até o pagamento da fatura.
Tome cuidado para não se animar com o dinheiro disponível no cartão e fazer compras não programadas. Você poderá contrair dívidas e acabar entrando no crédito rotativo, que consiste em pagar uma parte da fatura no vencimento e deixar o restante para a próxima cobrança. Assim, pagará uma das maiores taxas de juros existentes – algumas administradoras chegam a cobrar quase 13% ao mês e multa de 2% sobre o valor devido em caso de atraso.
Evite aborrecimentos com o cartão de crédito e não faça compras por impulso. Pague sua fatura na data de vencimento e nunca entre no crédito rotativo.

Empréstimo pessoal: é oferecido pelo banco, normalmente com juros pré-fixados, após uma análise do histórico do cliente. Como o risco de inadimplência para a instituição financeira é baixo, o empréstimo pessoal apresenta juros inferiores às taxas do cheque especial e do cartão de crédito. Em setembro, a média de juros cobrados era de 5,28% ao mês – 85,4% ao ano.

Cheque pré-datado: É uma das modalidades de financiamento mais antigas. Basta o preenchimento de uma ficha cadastral e uma rápida consulta para ter o crédito liberado. Apesar de ser muito usado pela população, o Banco Central não reconhece o cheque pré-datado como modalidade de crédito. Porém, já existe jurisprudência que garante sua validade.

Crédito direto ao consumidor (crediário): Geralmente encontrado no comércio, é oferecido ao consumidor na hora do financiamento da compra de bens, que pode ser feita com cheques pré-datados, carnês ou boletos bancários.
Os prazos variam conforme o tipo e o valor do bem financiado e a capacidade de pagamento do comprador. As taxas de juros são fixadas pelas instituições financeiras que operam com as lojas comerciais.
Segundo a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), em agosto de 2001 o comércio trabalhava com juros médios de 7,96% ao mês – 150,7% ao ano.

Quadro1

SIGA ALGUMAS DICAS

  • Antes de fazer um financiamento, observe o preço inicial do produto e calcule seu preço final. Dependendo dos juros, um preço inicial menor pode ficar mais caro no final, e vice-versa.
  • Cuidado, algumas lojas fazem falsas ofertas, anunciando vender produtos em 3, 6, 10, 12 e até 15 parcelas sem juros. Na verdade, estão embutindo os juros das prestações no pagamento à vista.
  • O estabelecimento comercial deve informar as taxas de juros para o consumidor. Muitas vezes o vendedor usa a tabela fornecida pelas financeiras e informa uma taxa inferior à realmente cobrada (ver pesquisa feita pelo Idec), o que é considerado propaganda enganosa pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). Previna-se e calcule você mesmo os juros a partir da tabela do Procon. Perca um pouco mais de tempo e compare as taxas cobradas por lojas diferentes.
  • Se possível, adie as compras para janeiro e fevereiro de 2002. Geralmente as lojas oferecem descontos nesta época do ano.
  • Prefira compras à vista e não tenha vergonha de pechinchar. Se o financiamento for inevitável, procure a melhor taxa de juros e o menor número de prestações. Lembre-se: quanto mais parcelas, maior a taxa de juros e, conseqüentemente, o preço final do produto também será maior.
  • Cuidado com os novos lançamentos. Nem sempre eles possuem diferenças relevantes em relação ao produto vendido no ano passado. Na maioria das vezes, têm a mesma tecnologia e eficiência, mas recebem maquiagens estéticas que os tornam mais caros.


    IDEC PESQUISA TAXAS

    No dia 3 de outubro de 2001, o Idec esteve em duas lojas que vendem produtos parcelados em até 15 vezes: o Ponto Frio do Shopping Central Plaza e as Casas Bahia do Shopping Plaza Sul. Perguntamos aos vendedores sobre as taxas de juros nas compras a prazo do refrigerador Brastemp duplex e da TV Philips 20”.
    Nas duas lojas, os vendedores informaram valores inferiores ao verdadeiro. Por exemplo, no Ponto Frio, disseram que a taxa incidente na compra em seis parcelas do refrigerador Brastemp era de 4%. Porém, ao fazermos o cálculo, chegamos ao valor de 17%.

    Quadro1

    O CDC DIZ QUE...

  • O consumidor tem direito à informação adequada e clara sobre os produtos a serem comprados, inclusive quanto ao preço à vista ou financiado, número de prestações e taxas de juros.
  • A multa cobrada em caso de atraso no pagamento não deve ser superior a 2% e os juros não devem exceder 12% ao ano.
  • Se o consumidor optar pela liquidação antecipada da dívida, total ou parcialmente, deverá ter a redução proporcional dos juros e demais acréscimos.
  • Todo pagamento indevido deverá ser restituído em dobro, acrescido de correção monetária e juros legais.
  • O fornecedor tem o direito de cobrar uma dívida, mas sem constranger ou ameaçar o consumidor inadimplente. A cobrança é legítima, desde que não interfira o trabalho, descanso ou lazer do consumidor.
  • O consumidor deve ser avisado previamente sobre a inclusão de seu nome em algum serviço de proteção ao crédito, como a Serasa e o SPC, e pode ter acesso a informações a seu respeito existentes em cadastros, fichas ou bancos de dados. O tempo máximo de permanência de seu nome na “lista negra” é de cinco anos. Após este período, não deverão ser mais fornecidas informações que dificultem o acesso do consumidor ao crédito.
  • Caso a empresa não respeite os direitos do consumidor, ele poderá denunciá-la ao Procon ou ao Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), bem como promover uma ação judicial. No entanto, é interessante que o consumidor tente primeiro entrar em acordo com a empresa, mandando uma carta registada com um prazo para ela resolver a questão.


    CALCULANDO OS JUROS
    Clique aqui para ver uma tabela completa de cálculo de juros

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