O século 21 traz no seu bojo uma série de desafios que se traduzem na sobrevivência do nosso planeta e na de todos nós. Porque, no planeta Terra, tudo o que é vivo é interdependente. O convívio harmonioso do Homem com a Natureza, a sua casa, é a única chave da conservação da espécie.
Mas, como cuidamos da nossa casa? Entre 1970 e 1999, as populações de espécies animais diminuíram aproximadamente 11% nos ecossistemas florestais. O Ecological Footprint Global, um índice que mede a pressão que os homens exercem sobre a Natureza, aumentou 50% entre 1970 e 1997.
Se cuidamos tão mal de nossa casa, como cuidamos de nossa gente? Cerca de 1,3 bilhão de pessoas vivem hoje com menos de US$ 1 por dia e mais 1 bilhão não tem suas necessidades básicas de consumo atendidas. Os 20% mais ricos têm 74 vezes mais do que os 50% mais pobres. Mais de 680 milhões de pessoas não têm acesso a serviços de saúde.
O movimento mundial dos consumidores tem diante de si o desafio de se posicionar dentro dos direitos civis e, ante o devastador panorama da realidade social, trabalhar o acesso ao consumo. Hoje, nossa agenda não pode se ater apenas à importante questão do direito individual do consumidor. Há fatores sócio-econômicos que precisam ser urgentemente equacionados, e todos nós devemos ter um compromisso de mudança da realidade.
A partir da gravíssima questão social do nosso País, a posição correta é questionar o consumo exacerbado e caminhar em direção ao consumo sustentável. Para refletir sobre o consumo sustentável, o Idec promoveu um seminário nacional, em Brasília, nos dias 21 e 22 de novembro, tema que será desenvolvido na nossa próxima edição.
A participação de todos nós, como seres humanos e cidadãos, nesta direção pode significar o peso decisivo na luta pela preservação do planeta.