Repercussão
TESTE DE ARROZ PROVOCA MUDANÇAS
Empacotadoras das marcas eliminadas se reúnem com o IDEC para discutir formas de aprimorar o controle de qualidade de seus produtos.
O teste de arroz, publicado na edição anterior de Consumidor S.A., surpreendeu tanto o mercado que o IDEC, atendendo ao pedido das empacotadoras cujos produtos foram eliminados na avaliação final, promoveu duas reuniões para discutir os desdobramentos do teste. A principal proposta levantada foi a elaboração de um termo de compromisso das empresas com o Instituto. Todas as empacotadoras envolvidas na questão – Camil (marca Camil), Cotrijuí (Casabella) e Josapar (Tio João) – declararam que pretendem adotar novas medidas e aperfeiçoar seus controles de qualidade. “A partir do teste do IDEC, muita coisa mudou e vai mudar na cadeia produtiva do arroz e no controle exercido pelo governo sobre o setor”, disse o diretor da Josapar, Fernando Halfen.
Os representantes das empresas informaram também que se reuniram em Brasília com autoridades dos Ministérios da Saúde e da Agricultura para solicitar medidas de garantia da qualidade de fornecedores de matéria-prima, como um sistema de certificação, com implantação de boas práticas em toda a cadeia produtiva. Participaram dessa reunião também os representantes do Sindicato dos Produtores de Arroz do Rio Grande do Sul, do Instituto Rio-Grandense de Arroz, da Federação das Indústrias de Arroz do Rio Grande do Sul e da Associação Brasileira das Indústrias de Arroz Parboilizado.
Educação do agricultor é fundamental
As empresas vêem como questão fundamental a ampliação da educação e da informação junto aos agricultores e o estímulo à realização de análises de controle de produtos por parte do governo. De sua parte, declararam que estão ampliando seu conceito de controle de qualidade nas suas linhas de produção. Até então, os controles vinham sendo realizados visando à parte de classificação e limpeza do arroz, aspectos mais aparentes ao consumidor e que têm um certo controle por parte do governo.
Se, por um lado, os consumidores se sentem desprotegidos em relação às empresas, estas se declararam inseguras em relação a seus fornecedores, os produtores de arroz. Na reunião do IDEC com as empacotadoras, foi consenso que falta uma atuação eficiente dos órgãos governamentais no que tange a educação do produtor, fiscalização da venda e uso de agrotóxicos e de seus resíduos nos produtos para alimentação.
O resultado para o consumidor aparecerá na segurança e na qualidade cada vez maior dos produtos que vão à sua mesa, principalmente os que compõem a cesta básica da maioria da população, como é o caso do arroz. Vale lembrar que ainda há outras questões em relação a esses produtos, como a diminuição de ICMS e a isenção de outros impostos que acabam elevando o preço e dificultando o acesso da população mais carente a esses itens básicos de alimentação.
Lote testado não está mais no mercado
Não há mais pacotes de arroz Casabella com indicação de validade até 30/8/2000 nas gôndolas dos supermercados. Foi o que disse aos técnicos do IDEC Romeu Fiod Jr., o representante da Cotrijuí, cooperativa responsável por essa marca. “Quando fomos procurados pelos consumidores, trocamos os pacotes desse lote por outros ou devolvemos o dinheiro”, declarou ele. Baseada em Dom Pedrito (RS), a Cotrijuí reúne quatrocentos produtores, de acordo com Fiod Jr. “Estamos trabalhando para aperfeiçoar o programa de qualidade do arroz Casabella”
Veja também: A posição do IDEC
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