Fina mas resistente, com preço acessível e instruções de uso claras e completas. Assim é a camisinha ideal, que garante aos consumidores uma efetiva proteção contra doenças sexualmente transmissíveis e gravidez. A maioria dos preservativos disponíveis atinge os requisitos de segurança e está mais perto dos parâmetros de qualidade.
Essa foi a conclusão do teste realizado pelo IDEC com 17 marcas de camisinhas comercializadas ou distribuídas no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Dezesseis marcas, inclusive a Lig, distribuída gratuitamente pelo Ministério da Saúde, foram consideradas seguras. A marca Flamengo apresentou problemas na embalagem e, por isso, foi considerada “ruim”. A marca Prudence apresentou problemas de segurança e foi eliminada do teste.
Os resultados são animadores, pois o teste anterior, realizado pelo IDEC em 1996, eliminou 8 das 20 marcas analisadas. Além de mais seguras, as camisinhas também ficaram 13% mais finas. Outra boa notícia para os consumidores é que o preço médio dos preservativos caiu de R$ 0,62, em 96, para R$ 0,57, provavelmente devido à isenção do ICMS, em vigor desde 1997. E há opções ainda mais baratas e não menos eficazes.
Poucos problemas encontrados
A marca Prudence apresentou o desempenho menos satisfatório do teste. Assim como em 96, ela foi eliminada no ensaio de vazamento, o que compromete a sua segurança e eficácia. Em Hong Kong, a associação de consumidores testou camisinhas fabricadas pelo mesma empresa que produz a Prudence e encontrou problemas idênticos.
A embalagem da Prudence tem o selo de certificação do Inmetro, que, teoricamente, garante a confiabilidade do produto. As diferenças com os resultados do IDEC podem ser pelo fato de o produto ter uma freqüência de defeitos próxima do limite aceitável.
Das camisinhas testadas, apenas a Lig não apresenta o selo do Inmetro, pois os preservativos distribuídos pelo Ministério da Saúde devem ter a certificação do Inmetro, mas não necessariamente o selo na embalagem.
A camisinha Flamengo teve um bom desempenho nos ensaios de segurança, mas apresentou problemas em sua embalagem interna, que não é opaca e, por isso, não evita que a luz provoque a deterioração do látex. A ausência na embalagem do número de registro no Ministério da Saúde, que deve constar em todos os preservativos, levou a Flamengo a ser classificada como “ruim”.
Alta resistência e extra-sensibilidade
No Brasil, não há critérios técnicos para definir se uma camisinha possui “alta resistência”, mas essa expressão está estampada nas embalagens das marcas Flamengo, Preserv Lite, Preserv Alta Proteção e Saúde. De acordo com a norma européia que define a alta resistência, nenhuma das marcas testadas seria considerada como tal. Nos ensaios de força e alongamento, essas quatro marcas não foram consideradas mais resistentes do que as outras, mas são tão resistentes quanto elas e por isso passaram no teste.
As expressões “extra-sensibilidade”, “máxima sensibilidade” ou “espessura fina” foram encontradas nas embalagens de seis marcas, sugerindo que essas camisinhas são mais finas que as outras. De fato, a Preserv Alta Proteção e a Flamengo foram as mais finas do teste. A Preserv Lite e a Sensação possuem espessuras pouco abaixo da média e são consideradas finas, mas a Saúde e a Due Natural, com espessuras de 0,071 mm e 0,072 mm, respectivamente, foram consideradas de espessura média.
Que camisinha escolher?
Ao final do teste, dezesseis marcas foram consideradas seguras. O fabricante da Flamengo, que apresentou problemas de rotulagem, informou ao IDEC que deixou de comercializar o produto. As demais quinze marcas obtiveram resultados tão próximos que, na hora da compra, o consumidor pode optar pelas mais baratas. De acordo com a tomada de preços realizada pelo IDEC entre dezembro de 1999 e fevereiro de 2000, os preservativos Eros, Affair e Lovetex apresentam os preços mais baixos.
Outra opção segura que, definitivamente, não prejudica o bolso do consumidor, é a camisinha da Lig, distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. Suas falhas são a falta de uma bula (não exigida para produtos de distribuição pública) e o prazo de validade de
cinco anos, quando o ideal seria três anos, por causa de nosso clima tropical.
Quanto à Prudence, o IDEC recomendou a suspensão de seu registro no Ministério da Saúde até que a sua qualidade melhore.
Divulgação suspensa por pouco tempo
Quando um teste é concluído, o IDEC envia a cada fabricante ou importador os resultados dos ensaios feitos com seus produtos. Neste caso, a DKT, importadora da camisinha Prudence, solicitou na Justiça a suspensão da divulgação dos resultados, alegando que o mesmo lote eliminado no teste do IDEC havia sido aprovado em teste realizado no Instituto Falcão Bauer. A juíza federal Mônica Autran Machado Nobre, da 22a. Vara Federal de São Paulo, decidiu suspender a divulgação. Com um mandado de segurança, o IDEC conseguiu reverter essa decisão, ponderando que a saúde e a vida são valores protegidos pela Constituição Federal. Assim, no dia 3 de março, véspera do Carnaval, os resultados foram divulgados em jornais, rádios e na TV.
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Como foi feito o teste