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Edição 40  
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5, 4, 3, 2, 1, bug!

O que é o bug do milênio
e como ele pode afetar sua vida


Registra a História que mudanças de século sempre dão margem a profecias catastróficas, ainda mais se, além da centena, muda também o milhar do ano. A tragédia do nosso novo milênio poderia ser o bug, ameaça que paira sobre os equipamentos informatizados, embora seu efeito prático, analisando friamente, provavelmente seja aquele que o próprio nome indica: o de um bug.

Traduzindo, a palavra inglesa bug significa besouro, inseto ou um bichinho pequeno. Conta a lenda que ela entrou no vocabulário da informática em 1945, quando uma mariposa se alojou num relé do computador Mark I, da Universidade de Harvard, EUA, prejudicando o funcionamento da máquina, para surpresa dos programadores. A partir daí, bug passou a designar erros de programação ou falhas do sistema devido a esses erros.

Ano de dois dígitos

O mais famoso dos bugs tem data prevista para acontecer e um nome meio incoerente (afinal, o novo milênio começa de fato em 2001). Começa à zero hora do primeiro dia de janeiro do ano 2000. Mas como e por quê? Porque os computadores mais antigos, por economia de espaço na configuração (em 1970, um megabyte de memória poderia custar mais de 3 milhões de dólares), foram programados com datas que marcam apenas dois dígitos para o ano. Em vez de registrar “1999”, apontam só “99”. Assim, quando chegar o novo ano, essas máquinas veteranas irão marcar “01/01/00”, e poderão considerar que chegaram a 1o de janeiro de 1900!

E o que isso vai representar na sua vida? Os problemas mais graves poderão ocorrer se você tiver compromissos ou cálculos baseados em datas. O computador poderá embaralhar sua agenda ou fazer cálculos de juros de 1900 até 1999, por exemplo, transformando uma simples correção monetária de um mês para outro em uma dívida monstruosa.

A propósito, não só os computadores poderão ser afetados, mas todo equipamento digital que usa datas em seu funcionamento. Por exemplo, o videocassete. Mas nem por isso esses aparelhos domésticos deixarão de funcionar, embora a marcação da data (e, no caso do vídeo, a programação de uma gravação) seja prejudicada.

Maiores riscos nas empresas

Portanto, os maiores afetados pelo bug não seriam os consumidores, pelo menos diretamente, mas as empresas, principalmente aquelas que trabalham com grandes redes de informática. Por conta disso, já se ouviram previsões catastróficas de queda de aviões, colapso no fornecimento de energia e sumiço de registros de contas bancárias. Os governos também estão apreensivos. O Banco Central exigiu que as instituições financeiras apresentassem, até o final do ano passado, uma declaração de que seus sistemas estão ajustados e que assumem a responsabilidade por eventuais prejuízos.

Mais que a questão técnica, a maior preocupação das empresas é com o aspecto judicial. Consultorias especializadas prevêem que o setor bancário poderá ter de despender até US$ 1,5 trilhões em possíveis litígios judiciais e indenizações. No Brasil, o possível já é real. O São Paulo Futebol Clube está processando a Siemens porque esta empresa instalou no clube em 1997 um PABX que não está preparado para a chegada do ano 2000. O São Paulo considera, com base no Código do Consumidor, que o produto adquirido tem um defeito oculto de fabricação. Assim, está exigindo a correção do problema sem gastar os R$ 22 mil cobrados pela Siemens.

Para evitar problemas desse tipo, as empresas já investiram milhões de dólares para conferir e corrigir seus sistemas. E, pelos primeiros testes realizados, apesar de tanto alarmismo, esse saneamento deverá ser bem-sucedido. Em fevereiro passado, começou a marcação de reservas para vôos internacionais no ano 2000 – sem problema nenhum. Recorde-se também que, no caso do Brasil, os bancos, principal setor da economia a lidar com tempo e dinheiro, já tiveram de trocar a moeda corrente por cinco vezes nos últimos quinze anos, sempre com sucesso. E há ainda um mal que vem para o bem no caso brasileiro: a maioria dos sistemas de controle das empresas de eletricidade ainda funciona com mecanismos analógicos.

Como evitar o desastre

Para evitar possíveis problemas com o bug, a receita é pegar todos os seus aparelhos informatizados que trabalham com data, como agendas eletrônicas e relógios, e tentar programá-los para alguns segundos antes da meia-noite de 31/12/99. Se eles não aceitarem o dia 1o de janeiro de 2000, e isso puder causar problemas mais sérios para sua programação, anote o modelo e o número de série do aparelho e entre em contato com o fabricante. No caso de alarmes residenciais e outros equipamentos mais complexos, é melhor procurar diretamente o fabricante ou o revendedor.

Com o computador, o princípio é o mesmo, mas o processo é mais complexo, porque os problemas podem surgir de três fontes diversas. A primeira é o hardware. A função de data de alguns computadores pode, no Ano Novo, passar para 1900 ou retornar à data de fabricação do aparelho, e isso vai se refletir em todos os programas executados no micro. A grande maioria dos produtos fabricados após 1996 não corre esse risco. Portanto, redobre o cuidado se seu computador for um PC 486 ou anterior.

A segunda fonte de possíveis problemas é o software, os programas instalados no computador –que às vezes são de versões antigas, que registram o ano com dois dígitos. Isso vale sobretudo se você trabalha com planilhas de cálculos ou bancos de dados, como Excel, Lotus ou Access. Se você só usa o aparelho para processar textos ou para jogos, dificilmente o bug irá causar-lhe transtornos.

A terceira são os dados inseridos na máquina. Para exemplificar essas possibilidades, se você tiver um PC Pentium (hardware) com Windows 98 (software), ou mesmo um Macintosh, e inserir no computador os dados de um arquivo extraído de um aparelho 486, produzido em versões anteriores do Excel ou Lotus 1-2-3, a data poderá vir formatada em dois dígitos apenas.

Remédio pela Internet

Mesmo parecendo complicado, as soluções podem ser mais simples e baratas do que parece. A Associação Australiana de Consumidores (ACA) publicou em sua revista ComputerChoice de dezembro passado uma avaliação de programas que diagnosticam e até solucionam o problema e concluiu que não vale a pena pagar por isso. Há vários programas gratuitos disponíveis na Internet (veja alguns deles na nossa lista de links). Se você não tem acesso à Internet, copie o programa em alguma livraria, café ou biblioteca que permita a conexão (a taxa de acesso, quando há, é barata) ou peça a algum amigo. Neste caso, tome cuidado com vírus que podem vir no disquete. E nunca execute nenhum programa novo no seu computador antes de, por precaução, fazer uma cópia dos seus arquivos.

Se o seu computador for mais antigo e o problema de hardware necessitar de solução definitiva, talvez você tenha de comprar uma placa nova, o que pode custar-lhe até US$ 100, ou quem sabe seja melhor esperar um pouco mais e trocar a máquina por uma mais moderna. Se você optar por esta última solução, exija do vendedor a garantia de que o produto não será afetado pelo bug. Faça o download do nosso modelo de carta.

Clique aqui para fazer o download da carta (bug.doc)

Veja também o informativo do IDEC sobre o "bug do milênio"


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