Se você pretende comprar algum eletrodoméstico, pesquise preços e não se impressione com o cartaz à frente do aparelho: pechinche. Vale a pena. Os técnicos do IDEC visitaram várias lojas de eletrodomésticos, magazines e hipermercados (alguns por duas vezes) e descobriram que isso é possível. Na verdade, as lojas estão preparadas para conceder abatimentos – desde que o consumidor os peça (nos hipermercados isso é mais difícil, mas não impossível).
Pechinchar e obter um bom desconto na hora da compra é uma atitude muito salutar para o bolso do consumidor. E pode ser também para a economia do país, considerando que, no momento, a grande preocupação do governo é evitar a volta da inflação. Rejeitar preços altos pode forçar os fornecedores a mantê-los em baixa e ajudar a preservar o seu poder de compra.
Você vai ver aqui um pequeno “manual de instruções” para conseguir uma boa pechincha, feito com base nas visitas do IDEC. Provavelmente não seja o único. Mas ele serviu também para descobrir que existe, nas lojas, um ser invisível e quase onipotente, chamado gerente. Todas as vezes que o vendedor esgotava seu poder de negociação, apelava: “Mais baixo do que isso, só com o gerente”. Mas cadê o gerente? Nunca estava. Tinha saído, não tinha chegado ou estava almoçando às três e meia da tarde. Só em uma loja houve um indício mais forte de sua presença. O vendedor foi falar com ele depois que os técnicos do IDEC insistiram para baixar mais o preço. Mas essa conversa foi às escondidas.
O MANUAL DO PECHINCHEIRO
1. Antes de ir às compras:
Pesquise preços, verifique anúncios
de jornais, revistas e sites de grandes redes, etc. Partindo daí, estipule sua meta: qual o máximo que você quer (pode) pagar? Procure conhecer bem o produto que deseja comprar, para poder argumentar com o vendedor e rejeitar acessórios desnecessários ou substitutos que não lhe servem. Nossos testes e reportagens podem ajudar-lhe nesse sentido.
2. Ouça o vendedor:
Se você encontrou uma loja cujos
produto, preço e condições de pagamento parecem interessantes, é a hora de sair a campo. Vá com tempo. Paciência é essencial para negociar. Não mostre entusiasmo com a possibilidade de comprar. Ouça mais do que fale. Embora você esteja preparado, não seja prepotente mostrando que sabe tudo sobre o produto.
Perguntar sobre ele e sobre a necessidade dos acessórios cria um clima de cooperação. Se o vendedor insistir em mostrar catálogos, falar da loja ou do cargo ou da disposição dele, que tão prestativamente veio atendê-lo, não se impressione. O que importa aqui é valorizar o trabalho do atendente. Se ele gastar pouco tempo e esforço com você, não hesitará em perder o negócio mas, se acontecer o contrário, ficará mais disposto a conceder descontos. De qualquer modo, ouvir não significa concordar. Você não precisa comprar para o vendedor não ficar bravo, porque tomou muito tempo dele ou o atrapalhou. Ele está na loja para atendê-lo e é o seu direito de escolha e o seu dinheiro que estão em jogo.
3. Proponha pagar à vista:
Na seqüência, fale. Se você achar
o preço muito alto, diga sem hesitação. O vendedor pode dar-lhe um desconto imediatamente (aquele que já está previsto na “tabela” da loja). Seja franco e direto, mas não irredutível. Se você não gostar do preço e das condições oferecidas ou não concordar com o vendedor, conteste-o, mas não parta para frases como “É impossível fazer negócio nestas condições”. Isso cria um clima de guerra e dificulta a negociação. Vá concordando aos poucos.
Você pode também colocar alguns argumentos curtos e fortes. Propor o pagamento à vista e em dinheiro, por exemplo, faz o vendedor perceber que você está realmente com intenção de comprar o produto.
4. Faça um leilão:
Outro argumento forte é o do leilão. Diga ao vendedor que você está pesquisando preços e fará uma compra pela melhor oferta dentro de alguns dias. Lembre que, como se vê nos testes que publicamos, nem sempre o preço acompanha a qualidade. Você ainda pode, para abater mais alguns reais, propor alternativas, como dispensar algum acessório ou transportar você mesmo o produto para casa.
5. Fechando o negócio:
A última cartada pode ser dada no
fechamento do negócio. Seja ousado. Por exemplo: saque o talão de cheques e, na hora de preenchê-lo, peça um último desconto ou um brinde. O vendedor provavelmente não irá querer perder um negócio quase fechado por isso.