Saúde
Hormônio de risco
Cientistas alertam para os efeitos colaterais da BSTr, que ajuda o gado a crescer mas pode afetar o homem
Cientistas do governo do Canadá acabam de revelar que a saúde de seus vizinhos norte-americanos está correndo riscos com o uso da BSTr, sigla inglesa da Somatotropina Bovina Recombinante, um hormônio de crescimento produzido em laboratório por engenharia genética para que as vacas produzam mais leite.
A revelação reforça ainda mais a posição de organizações de defesa do consumidor de todo o mundo, contrária ao uso desse aditivo. Nos EUA, a Consumers Union condenou a negligência do FDA (órgão do governo para a fiscalização de alimentos e medicamentos) na análise do relatório da Monsanto, a fabricante do produto. “Se não fosse a pesquisa dos canadenses, provavelmente nunca saberíamos os resultados completos do estudo”, declarou o representante da organização Michael Hansen.
Vias tortuosas
As vacas recebem injeções de BSTr para crescer mais depressa e produzir 15% a 20% mais leite. Com o hormônio, a probabilidade de desenvolver mastites e inflamações do úbere aumenta em 79%.
Para combater a doença, o criador administra mais antibióticos ao rebanho. O homem pode consumir leite com resíduos desses medicamentos e, com isso, proporcionar, dentro de seu corpo, o desenvolvimento de cepas de bactérias patogênicas resistentes a antibióticos.
O IDEC já pediu reiteradamente ao governo que retire a BSTr do mercado, já que o uso do hormônio pode, indiretamente, causar problemas à saúde humana. As providências, porém, parecem caminhar em sentido contrário: em um recente curso sobre alimentos geneticamente modificados, em Florianópolis, representantes do Ministério da Saúde propagaram que a BSTr é segura e criticaram a posição das organizações de defesa do consumidor.
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