Teste
ALERTA: ELES ESTÃO ENTRE NÓS
Avaliamos 31 alimentos nacionais e importados vendidos no país e descobrimos que os brasileiros podem estar consumindo pelo menos 9 produtos com ingredientes geneticamente modificados.
Os alimentos transgênicos estão presentes nas prateleiras dos supermercados e das lojas de produtos alimentícios no Brasil, apesar de serem proibidos por lei. Essa é a conclusão de uma avaliação promovida pelo IDEC com 31 produtos comercializados no país. Desse total, nove ou 29% das amostras coletadas possuem componentes da soja transgênica Roundup Ready, produzida pela multinacional Monsanto. Cinco são nacionais e quatro importados de países como Estados Unidos, Bélgica e México. Seis contêm mais de 1% de material geneticamente modificado e nenhum dos nove produtos informa em seu rótulo sobre a presença de transgênicos, ao contrário do que exige o Código de Defesa do Consumidor.
Para realizar o estudo, o IDEC selecionou 18 alimentos nacionais e 13 importados, incluindo sopas desidratadas, salsichas, sucos e preparados de soja para bebidas, entre outros.
Dois produtos servem para bebês
A pesquisa confirmou que os alimentos geneticamente modificados estão sendo vendidos no país antes mesmo que se faça um estudo prévio dos impactos que eles podem ter sobre a saúde humana e o meio ambiente. O que vem agravar mais esse fato é que, dos nove produtos identificados como transgênicos, dois podem ser consumidos por bebês durante o período de amamentação.
Um exemplo é o ProSobee, bebida em pó não láctea à base de soja, que é indicada como um substituto do leite materno para crianças com pouca tolerância ao leite animal ou que precisam ingerir menos lactose e sacarose. O alimento infantil Nestogeno com Soja também apresentou material geneticamente modificado e é recomendado como complemento do leite materno para bebês a partir dos seis meses de idade.
Exigida retirada do mercado
O IDEC exigiu providências da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), da Agência Nacional de Vigilancia Sanitária (ANVS) e dos Ministérios da Saúde, da Justiça e da Agricultura para que os lotes identificados como geneticamente modificados sejam retirados do mercado. A Vigilância Sanitária enviou ofício a dez fornecedores desses alimentos, solicitando que eles fossem recolhidos. Entretanto, o órgão não tomou nenhuma atitude mais enérgica nesse sentido, como é de sua competência. Já a deputada Luci Choinacki (PT-SC) entrou com uma representação na Procuradoria do Distrito Federal, em nome dos deputados federais do Núcleo Agrário do PT, pedindo a imediata retirada desses produtos dos supermercados.
Outra solicitação do IDEC é de que os órgãos responsáveis façam o controle dos alimentos importados e uma rigorosa fiscalização nas empresas que tiveram seus produtos reprovados na avaliação, além da definição das normas de rotulagem.
A boa notícia é o retorno que algumas empresas deram acerca do assunto. A empresa Josapar, fabricante do leite de soja Supra Soy, por exemplo, assegurou que está adotando procedimentos para somente comercializar soja com certificado livre de transgênicos. Em uma carta de esclarecimento enviada ao IDEC, a Olvebra (Cereal Shake Diet e Soy Milke) garantiu que, mesmo antes da proibição do cultivo de soja geneticamente modificada no país, a empresa já buscava parceiros para obter matéria-prima convencional. Na colheita de 1999/2000, a Olvebra firmou uma parceria com a Cooperativa Cotrimaio que prevê o fornecimento de soja com certificado não-transgênico. A partir de junho deste ano, todos os lotes produzidos pela empresa estão livres da soja Roundup Ready, segundo declarações da Olvebra (o teste do IDEC apenas abrangeu lotes anteriores a fevereiro de 2000).
Greenpeace encontra três marcas
A organização ambientalista Greenpeace também realizou um teste com 11 produtos importados vendidos no país a fim de constatar se eles são transgênicos. Desse total, três apresentaram material geneticamente modificado: o macarrão instantâneo Cup Noodles, a batata frita Pringles Original e o salgadinho sabor bacon Bac’On Pieces. No caso do Cup Noodles, o teste do Greenpeace, realizado em outro laboratório, confirmou o resultado da avaliação do IDEC, que também descobriu resíduos transgênicos no alimento. A soma dos dois testes revelou que os brasileiros podem estar consumindo ao menos 11 produtos geneticamente modificados.
Entre os produtos avaliados pelo Greenpeace que não possuem material transgênico, estão o salgadinho Nachos Tortilla Chips, a pipoca para microondas Microwave PopCorn, os chocolates Hershey’s Kisses, Kinder Ovo e Estee (dietético), o alfajor Turma da Mônica, o cookie de creme Hershey’s e a sopa de frango Campbell’s.
Como evitar transgênicos
Você pode tomar certos cuidados para evitar o consumo desse tipo de produto.
Não compre produtos importados da Argentina, Estados Unidos e Canadá – maiores produtores de transgênicos – que contenham milho ou soja.
Caso compre produtos com ingredientes de milho ou soja, mesmo os nacionais, entre em contato com a empresa responsável (por e-mail ou ligando para os serviços de atendimento ao cliente) para saber se seus produtos têm a certificação livre de transgênicos.
Dê preferência a produtos orgânicos e de origem conhecida.
O IDEC também sugere algumas medidas de precaução para fornecedores, produtores e importadores de alimentos, como acompanhar as decisões e regulamentações referentes ao assunto. Fornecer informação clara e precisa aos seus consumidores e exigir matérias-primas com atestados ou certificações de órgãos confiáveis para produtos livres de transgênicos também são recomendados.
Como foi feito o teste
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor fez uma pesquisa nos supermercados de Curitiba e São Paulo, a fim de avaliar quais as marcas que tinham maior ocorrência nos locais pesquisados. Foram escolhidos produtos nacionais e importados que contêm ingredientes como milho, soja, suas farinhas, amido de milho e proteínas de soja – ou seja, as principais substâncias manipuladas geneticamente.
A análise dos produtos foi realizada pelo Laboratório Interlabor Belp AG, localizado em Belp, na Suíça. Trata-se do mesmo laboratório utilizado pelas organizações de defesa de consumidores da Europa, que possui certificação e reconhecimento na área de alimentos e, especificamente, em seus trabalhos com transgênicos.
A metodologia foi baseada na “leitura”do material genético (DNA) presente nos produtos, denominada PCR (Polymerase Chain Reaction), que permite baixos limites de detecção e alta precisão nos resultados. A análise ocorreu em três etapas: identificação de material geneticamente modificado, determinação do tipo de transgênico presente e, numa última fase, sua quantificação.
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