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Edição 52
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Seu bolso

PRECISO DE DINHEIRO

Usar o crédito pessoal do seu banco é a melhor forma de conseguir um empréstimo. Os juros cobrados são a metade dos aplicados sobre o cheque especial ou por uma financeira.

Se você entrou na roda-viva do cheque especial ou do cartão de crédito e agora não vê como escapar dos juros, que a cada mês engordam sua dívida em 10% ou mais, pode apelar, dentro do próprio banco, para uma redução desse inchaço. Solicite ao gerente um empréstimo pessoal só para saldar essa dívida. Os juros cobrados por essa modalidade de crédito são a metade do percentual aplicado no cheque ou no cartão. Assim, se você deve R$ 1 mil no cheque especial hoje, poderá, daqui a um ano, estar devendo R$ 3,1 mil (com uma taxa constante de 9,9% ao mês). Já no crédito pessoal, a dívida chegará a R$ 1,7 mil ao final do mesmo período. Dos males, o menor.

As taxas de juros cobradas pelos bancos continuam sendo um mal. Segundo pesquisa da Fundação Procon de São Paulo, realizada entre 3 e 6 de julho, a taxa média de juros do cheque especial cobrada pelos catorze maiores bancos brasileiros era de 8,74%. A inflação de junho, medida pelo IPCA, foi de 0,23%. Entre julho de 1999 e junho deste ano, o índice ficou em 6,51%. Ou seja, o custo do dinheiro emprestado a um banco é, em um mês, maior que a inflação em um ano.

Já foi pior. O Procon também aponta que a taxa média do cheque especial foi de 9,16% em junho e vem caindo desde o início do ano passado. Mesmo assim, os bancos continuam ganhando muito dinheiro com os juros. Dados da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostram que 44% do que os correntistas pagam com seus empréstimos ficam para o banco – é lucro líquido. É por isso que a Associação de Defesa e Orientação do Cidadão (ADOC), de Curitiba, lançou em maio uma campanha nacional pelo tabelamento dos juros bancários ao máximo de 12% ao ano, como prevê a Constituição.

É melhor comprar à vista

Se você, porém, não é correntista do banco, o crédito pessoal pode ser uma má alternativa. Uma pesquisa feita pelo IDEC em junho apurou que, entre as modalidades de crédito ao consumidor, essa era a mais cara. A média dos juros cobrados por sete financeiras era de 11,66% mensais. Além disso, elas incluem nas parcelas a pagar uma taxa de serviço que pode deixar a soma final bem mais alta.

Na verdade, a melhor alternativa é comprar à vista. Se você não tem necessidade imediata do produto, poupe o dinheiro para pagar de uma vez. Se você precisa mesmo do empréstimo, pesquise várias financeiras e bancos, compare contratos, juros e o montante final a ser pago. Se você já está endividado, a melhor alternativa é renegociar seu débito, usando as linhas de crédito disponíveis.

Os juros dos bancos

Taxas máximas pré-fixadas, no período de 30 dias (%).
Banco / Crédito pessoal / Cheque especial
Banco do Brasil / 4,60 / 7,79
Bandeirantes / 4,50 / 9,90
Banespa / 4,00 / 7,75
BBVA / 2,95 / 7,50
BCN / 4,70 / 9,70
Bradesco / 4,40 / 7,80
Caixa Federal / 4,50 / 8,20
Mercantil Finasa SP / 4,50 / 9,90
HSBC / 4,30 / 8,50
Itaú* / 4,90 / 7,90
Nossa Caixa / 4,70 / 7,95
Real / 4,90 / 9,90
Santander / 4,50 / 10,65
Unibanco / 4,90 / 8,90
*Taxa referente ao “Credipre” para o empréstimo pessoal,
Fonte: Fundação Procon-SP

Quanto custa o crédito pessoal

Entre 5 e 9 de junho, os técnicos do IDEC ligaram para sete financiadoras de São Paulo para saber como conseguir um emprés-timo de R$ 1 mil. Todos seguiram um procedimento padrão, declaran-do renda de R$ 1,5 mil e propondo o pagamento em doze parcelas.

Algumas empresas financiam até 70% da renda do cliente. Outras chegam a 100%, como a Zogbi, mas limitado a R$ 2 mil. Todas exigem alguma burocracia. Para a abertura de crédito, são necessários RG, CIC, comprovantes de residência e renda e carteira profissional. Algumas financiadoras ainda exigem o holerite e uma indicação de outra pessoa. Outras, uma conta bancária e o nome fora das listas negras de devedores. Se o crédito for aprovado, o cliente deverá assinar um contrato. O pagamento pode ser feito com boletos, cheques pré-datados ou carnê, dependendo da empresa.

Algumas financeiras ofere-cem seus serviços por telefone ou pela Internet, possibilitando até a simulação de um empréstimo. Todas devem esclarecer as condições do empréstimo, como as taxas de juros efetivos e as de mora, que são cobradas por atraso no pagamento. O consumidor também tem o direito de saber quais são os acréscimos legalmente previstos, como o IOF, e a soma total a ser paga.

Os acréscimos acabam fazendo a diferença. Na pesquisa do IDEC, a taxa de juros mais alta apresentada foi a da Losango. Mas o valor da parcela era bem menor que o do banco Ficsa, que declarava cobrar juros menores. No total, o consumidor acabaria pagando R$ 827,52 a mais emprestando do Ficsa. A diferença estava na taxa de serviço. Na prática, ela funciona como uma taxa de juros adicional.

Como conseguir um empréstimo

Há várias modalidades de financiamento para pessoas físicas. Aqui estão quatro muito comuns.

  • Crédito pessoal – É uma linha de crédito oferecida por bancos e outras instituições financeiras, independentemente da sua finalidade. Aplica normalmente juros prefixados e, portanto, prestações fixas. Se você já é cliente do banco, os juros são bem menores.
  • Cheque especial – Não é exatamente um cheque, mas um empréstimo que o banco faz ao cliente quando não há fundos na conta. Se o cliente tem um bom histórico de crédito, os juros cobrados podem ser menores.
  • Crédito direto ao consumidor (CDC) – É uma linha de crédito atrelada à aquisição de um bem. É o que acontece, por exemplo, quando você compra uma geladeira em prestações, usando o crediário da loja. O crédito pode ser prefixado ou pós-fixado, quando o valor das parcelas é calculado na data do vencimento.
  • Cartão de crédito – Você usa o crédito do cartão quando não paga o valor total da fatura, mas apenas uma parte. Então, você entra no chamado crédito rotativo, cujos juros podem chegar a 11,9% ao mês.

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