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Edição 55
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Alimentação

COMIDA ORGÂNICA

Mesmo com manchas por fora e sendo menores que os convencionais, os alimentos sem agrotóxicos são mais saudáveis.

Você costuma falar que o seu alimento é normal e não orgânico? Engano seu. Alimentos orgânicos são os normais. A comida a que estamos acostumados é a chamada convencional, tradicional, qualquer outro nome, menos normal. Considera-se alimento orgânico todo aquele de origem vegetal que é cultivado sem o uso de agrotóxicos ou outros insumos químicos e artificiais. São alimentos que não são geneticamente modificados – não são transgênicos – nem recebem radiações ionizantes em qualquer fase da produção, armazenamento ou consumo.

Normalmente, para termos um prato convencional de comida, produtores apelam a técnicas de cultivo que desrespeitam o meio ambiente, os organismos presentes no ecossistema e até o homem. Isso começou na década de 60, quando as empresas de sementes e agrotóxicos apresentaram uma nova linhagem de plantas como maneira de solucionar o problema da fome. Os agricultores começaram a cultivar vegetais híbridos, produzidos em larga escala. Foi a chamada Revolução Verde. Porém, as plantas ficaram mais sensíveis aos ataques de pragas e doenças e mais dependentes dos adubos químicos. O resultado não foi o esperado, a fome continua e, como conseqüência:

  • dois terços das águas do planeta estão contaminados pelos agrotóxicos e pelas indústrias;
  • o desequilíbrio da população de insetos exige venenos mais fortes para combatê-los;
  • a saúde da população humana mostra um aumento de doenças degenerativas e de causa desconhecida.
    Pesquisas mostram que entre 25% e 50% dos consumidores já estão aceitando os alimentos orgânicos, mesmo tendo que pagar mais por eles. Os alimentos orgânicos são mais saborosos e saudáveis, têm maior valor nutricional e duram mais tempo que os produtos convencionais, embora sejam um pouco menores e menos atraentes.

    As pessoas, com isso, estão respeitando o meio ambiente, o investimento na melhora das condições de vida dos trabalhadores e das comunidades atingidas pelas empresas e, principalmente, estão se valorizando.

    Norma identifica produtos naturais

    Uma instrução normativa baixada em maio do ano passado fixa os padrões de identidade para todas as fases de produção e processamento do alimento orgânico. Esse documento determina o tempo mínimo necessário para adotar um cultivo orgânico no lugar da produção convencional, quais os adubos e produtos permitidos no processamento, na armazenagem e no transporte, e como deve ser a rotulagem.

    Existem entidades certificadoras que avaliam ou indicam os procedimentos necessários para que a produção possa ser considerada orgânica. Entre as maiores estão a Associação de Agricultura Orgânica (AAO), o Instituto Biodinâmico (IBD) e a Fundação Mokiti Okada. Essas entidades são algumas das responsáveis pela certificação dos mais de 100 mil hectares cultivados atualmente com produtos orgânicos no Brasil.

    Melhor opção vem direto do produtor

  • Para achar os produtos orgânicos em sua cidade, procure feiras e mercados que são organizados pelos próprios produtores. Você pode encontrar preços menores e tem contato direto com o produtor.
  • Nos supermercados e varejos, verifique se o produto é mesmo orgânico pelo selo da entidade cer-tificadora. Evite os produtos que não trazem informações sobre sua ori-gem ou sobre a forma de produção.
  • Mesmo consumindo um produto orgânico, lembre-se de lavá-lo muito bem. Todos os alimentos podem carregar microrganismos e sujeiras que vêm dos campos.
  • Não valorize demais a aparência do produto. Os produtos orgânicos, às vezes, são um pouco menores que os convencionais e podem trazer pequenos defeitos (manchas na casca, folhas marcadas) que não afetam a qualidade do alimento. Lembre que, para termos grandes produtos com nenhum defeito, os produtores acabam abusando dos adubos e venenos.

    Nós comparamos com os convencionais

    A pedido do IDEC, o Centro de Pesquisa e Processamento de Alimentos da Universidade Federal do Paraná (Ceppa/UFPR) realizou em Curitiba uma análise de oito produtos orgânicos e também seus correspondentes convencionais, para uma eventual comparação. Eram eles: morango, tomate, feijão, couve-manteiga, mandioquinha, couve, alface crespa e alface lisa.

    Este teste foi feito com a metodologia de análise de multirresíduos, onde princípios ativos (cerca de cem) são rastreados em uma só operação e com grande grau de sensibilidade.

    Todos os produtos orgânicos apresentavam a identificação do produtor ou a declaração de ser um produto livre de agrotóxicos.

    A avaliação mostrou que os produtos orgânicos não apresentaram resíduos de agrotóxicos, como se esperava. Os alimentos convencionais também não apresentaram resíduos, mesmo sendo cultivados com agrotóxicos. A diferença encontrada foram os preços, que favorecem os convencionais. Na compra, em julho, a mandioquinha orgânica foi 73,57% mais cara que o convencional; no caso do tomate, a diferença chegou a 703,55%. Isso porque a distribuição irregular e localizada dos alimentos orgânicos limita o acesso dos consumidores.

    Na última pesquisa de preços, em outubro, encontramos alface orgânica pelo mesmo preço da convencional, mas com diferenças de mais de 300% para o tomate e a couve orgânicos. Produtores de alimentos orgânicos tendem a diminuir essa diferença de preço. Estão promovendo feiras e mercados especializados na venda desses produtos. Assim, eles cortam os custos dos intermediários, que encarecem o produto final.

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