Após tentar introduzir sua soja transgênica no país, a Monsanto dá outra cartada. Desta vez é o milho Bt, manipulado geneticamente para conter um inseticida em sua semente. Assim como no caso da soja, a multinacional norte-americana pede a aprovação do governo brasileiro para comercializar essas sementes sem que existam pesquisas conclusivas sobre a segurança para os consumidores e para o meio ambiente.
O milho Bt tem esse nome porque recebe um gene de uma bactéria – o Bacillus thuringiensis – capaz de matar insetos. Seu atrativo para os agricultores seria uma possível redução de custos com o menor uso de inseticidas, mas os riscos que pode trazer já foram apontados por cientistas.
Em maio do ano passado, a revista Nature publicou uma pesquisa realizada na Universidade de Cornell em que se verificou que o pólen do milho Bt foi responsável pela morte das borboletas monarcas, uma espécie que não ataca o milho, mas alimenta-se do pólen carregado pelo ar. Ou seja, o inseticida embutido nesse milho não afeta somente os insetos que o atacam – o que por si só representa perigo ao equilíbrio ambiental.
Nos Estados Unidos, a Agência de Proteção Ambiental determinou, no mês passado, que as plantações de milho Bt sejam cercadas por plantações de milho convencional. A decisão, que responde às pressões de consumidores e ambientalistas, visa impedir que as lagartas que atacam o milho se tornem resistentes à toxina Bt.
IDEC protesta na CTNBio
Em novembro, o IDEC entregou uma contestação administrativa à CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia), contra a liberação comercial do milho Bt. A CTNBio é a responável pelo parecer técnico sobre os cultivos transgênicos, mas a decisão final é dada em conjunto pelos Ministérios da Saúde, Agricultura e Meio Ambiente. Entre as críticas feitas pelo Instituto estão a ausência de informações sobre os benefícios para os consumidores, e sobre a forma de separação do milho transgênico do convencional (para que o consumidor possa saber o que está comendo).
O IDEC também apontou deficiências na avaliação da Monsanto sobre os efeitos tóxicos do milho Bt. Essa avaliação foi baseada no conceito de equivalência substancial, considerado “pseudocientífico” e inadequado para comprovar a segurança à saúde em artigo publicado na Nature.
Outro ponto levantado pelo IDEC foi a falta de uma regulamentação que avalie os efeitos e garanta a segurança dos alimentos geneticamente modificados – o mesmo motivo pelo qual o Instituto conseguiu na Justiça a proibição da soja transgênica da Monsanto.
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