Nº32 Jul/98
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Serviço

A POLUIÇÃO DAS PILHAS E BATERIAS

Pilhas e baterias contêm metais pesados que podem contaminar água e alimentos, atingindo o homem. Há sugestões para que os fabricantes recolham pilhas usadas e se responsabilizem pela sua reciclagem.

Baterias de celular e pilhas podem contaminar o meio ambiente. Esses produtos contêm metais pesados altamente tóxicos que, quando jogados no lixos das grandes cidades, podem vazar e atingir os lençóis freáticos e plantações de alimentos. Esses metais, como chumbo e cádmio, podem provocar doenças no sistema nervoso e comprometer ossos e rins. Segundo estimativas do Ministério do Meio Ambiente, onze toneladas de baterias de telefones celulares são descartadas anualmente – um número que está em crescimento acelerado. Nesse período, também vão para o lixo milhões de pilhas e baterias usadas em brinquedos, relógios e calculadoras. A maioria desses dejetos acaba misturada aos 33 milhões de toneladas de lixos domésticos gerados por ano.
Mas o que fazer com esse lixo tóxico? Nossa leitora Márcia Gil Knobel, que é consultora ambiental, nos enviou uma carta levantando essa questão. “Como os fabricantes pretendem reparar ou diminuir os danos ao ambiente e à saúde causados pelo vazamento dos metais pesados contidos nas pilhas e baterias?”, pergunta ela.

Na Europa, coleta seletiva

Por enquanto, não há resposta. O governo e os fabricantes ainda não sabem o que fazer com esse lixo. A maioria das baterias e pilhas acaba misturada ao lixo doméstico, sem tratamento adequado. No Brasil, não existem aterros públicos apropriados para substâncias perigosas. Conseguir recolher e confinar desses produtos já seria um avanço. “Os consumidores poderiam trocar as pilhas e baterias velhas por novas, pagando um preço com desconto. Dessa forma, esses produtos voltariam para os fabricantes, que se responsabilizariam pela reciclagem ou armazenamento desses materiais em aterros especiais”, sugere Márcia.
Outros países estão tomando iniciativas desse tipo. Em Portugal, por exemplo, as pilhas são entregues ao fabricante ou importador, que se encarrega de enviá-los para a reciclagem ou para algum lugar onde possam ser destruídas sem perigo para o meio ambiente. Na verdade, todos os integrantes da União Européia, com exceção do Reino Unido, possuem leis que regulamentam a coletiva seletiva de pilhas e baterias. Em 2003, deverá entrar em vigor uma nova legislação, que imporá uma tremenda redução nos níveis de materiais tóxicos presentes nesses produtos, como chumbo e cádmio. Nos Estados Unidos também é feita a coleta seletiva de pilhas usadas.

 Poucas iniciativas para solucionar o problema

Algumas empresas no Brasil já estão se conscientizando do problema, mas ainda são muito poucas – e fazem muito pouco. A Motorola, líder no mercado nacional de celulares, está aconselhando seus consumidores a devolver as baterias usadas à rede de assistência técnica. Segundo a empresa, como ainda não há tecnologia para a reciclagem de baterias e nem aterros apropriados para esses materiais, por enquanto eles apenas estão sendo armazenados em sua fábrica de Jaguariúna (SP), à espera de uma decisão do governo sobre o destino desses produtos.
A reciclagem de baterias tóxicas já é feita no Brasil, mas só com as de automóveis, que contêm chumbo. Isso obedece a razões econômicas. Para as empresas, a reciclagem é lucrativa porque o chumbo precisa ser importado. O consumidor também pode se valer desse fato. Muitas lojas concedem um desconto de alguns reais quando o freguês entrega a bateria velha no momento de comprar a nova.

SP tem projeto de lei para segundo semestre

A Secretaria do Meio Ambiente paulista estuda um projeto de lei que responsabilize os fabricantes e importadores de pilhas e baterias pelo destino final desses produtos depois do consumo, o que inclui recolhimento, transporte, armazenamento e eventual reciclagem, até o destino final. Segundo o projeto, as empresas teriam um ano para criar centros de recepção de baterias, que deveriam ser encaminhadas para reciclagem ou aterros industriais. De acordo com a Secretaria, o objetivo dessa lei é estabelecer uma política estadual de gestão dos resíduos sólidos, cuja prioridade é reduzir a geração do lixo na fonte. A Secretaria pretende apresentar o projeto à Assembléia Legislativa no início do segundo semestre.
No Congresso Nacional, projetos de lei semelhantes vêm fracassando nos últimos cinco anos. A proposta do deputado Fábio Feldman (PSDB-SP, atualmente secretário estadual do Meio Ambiente), que obrigaria as empresas a imprimir nas embalagens quais são os riscos de seus produtos para o ambiente e para a saúde, foi rejeitada pela Comissão de Economia da Câmara. Nesse cenário de imobilidade, resta ao consumidor preocupado com o meio ambiente dar preferência ao uso dos aparelhos elétricos ligados na tomada ou torcer para que se disseminem pelo Brasil as pilhas recarregáveis. São mais caras que as comuns, e ainda é preciso comprar o carregador, mas a relação custo-benefício, com o tempo, torna-se muito mais vantajosa. E o meio ambiente também agradece.

A Reciclagem do Tetra Brick

A Tetra Pak, único fabricante no país de embalagens para leite longa vida, prometeu (Consumidor S.A. no 10, jul/96) e cumpriu: adotou uma política para que as 3,2 milhões de toneladas produzidas anualmente sejam recicladas.
Quatro empresas no Estado de São Paulo e duas unidades de uma empresa do Sul já estão transformando as embalagens conhecidas como tetra brick em papel higiênico, papelão ondulado e até solas de sapato. No ano passado, segundo informação publicada no jornal Gazeta Mercantil, 500 toneladas foram recicladas. As empresas que estão operando nessa transformação são a Fábrica de Papel Santa Therezinha (Santher), fabricante de papel higiênico; o Cotonifício Valinhos e a Rio Pardo Papéis, que produzem papelão ondulado; e a Bruno Biagioni, fabricante de solados para calçados. Além destas, a Novick também recicla no Paraná e em Santa Catarina. A partir do segundo semestre deste ano, a Klabin começará a reciclar outras 50 toneladas por dia em Piracicaba (SP) e, se tudo der certo, o trabalho será realizado também em suas unidades de Recife, Goiânia e Rio Grande do Sul.
Com isso, embalagens de longa vida começam a entrar no sistema de coleta seletiva em vários municípios. Espera-se que esse tipo de coleta se expanda para alimentar as operações de reciclagem, aliviando assim os aterros sanitários das cidades e retirando do meio ambiente um elemento altamente poluidor. É que as camadas alternadas de papel, alumínio e polietileno que compõem os tetra brick são de difícil absorção pelo meio ambiente.
A Tetra Pak participa apoiando prefeituras para a implantação da coleta seletiva das embalagens, produzindo milhares de cartilhas distribuídas à população. Prefeituras como as de Campinas, Porto Alegre, Santos e Florianópolis já podem abastecer as fábricas interessadas na reciclagem. Na outra ponta, a Tetra Pak estimula as empresas, tendo apresentado à maioria delas a tecnologia necessária para a operação. Com isso, cumpre a política ambiental de sua matriz na Suécia. Só resta esperar que a atividade de reciclagem alcance os 100% da produção – ou o mais próximo disso.

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