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Saúde

O VENENO ESTÁ EM CASA

As crianças são as maiores vítimas de intoxicações, quase sempre provocadas por acidentes, facilitados por embalagens pouco seguras. Para evitar isso, bastam alguns cuidados simples.

Os dados oficiais afirmam que 60% dos 79.366 casos de intoxicação registrados no país em 1998 deveram-se a acidentes. E suas maiores vítimas (42%) foram as crianças de um a quatro anos. Essas pequenas vítimas tiveram contato com produtos tóxicos em casa. Elas se intoxicaram com medicamentos, produtos de limpeza e venenos para matar animais indesejáveis, de insetos até ratos. A redução desses percentuais depende, em boa parte, dos pais, que muitas vezes deixam produtos perigosos ao alcance dos filhos, e dos fabricantes desses produtos, que poderiam adotar embalagens seguras para crianças.

Analisando a embalagem de alguns desses produtos, o IDEC encontrou alguns bons exemplos, como a tampa do desentupidor Diabo Verde, e muitas armadilhas. Alguns produtos de limpeza têm, além de tampas que podem ser abertas com facilidade, cores atraentes e até desenhos de personagens infantis no rótulo.

O pó Baygon contra pulgas, também fácil de abrir, parece mais um talco. As iscas para ratos Rodasol são cor-de-rosa e seu formato lembra uma bala. O mesmo ocorre com a naftalina, que só está protegida na hora da compra. Para ser usada, deve ser retirada do saco plástico e ficar exposta. Alguns sabões de limpeza podem ser encontrados na forma de gel ou pasta e têm embalagem semelhante à de uma margarina.

Uma lei para embalagens seguras

Existe um projeto de lei para obrigar os fabricantes de medicamentos e de produtos químicos, inclusive os de uso doméstico, a colocar embalagens especiais de proteção à criança (EEPC) em seus produtos. A EEPC é projetada de tal modo que torne difícil sua abertura por uma criança de menos de cinco anos de idade. Nos EUA, as EEPCs são obrigatórias para os medicamentos desde 1970. Nesse país, estudos apontam que esse tipo de embalagem evitou, em um só ano, que se registrassem 200 mil casos de ingestão acidental por crianças. Em uma cidade americana, o número de intoxicações caiu de 149 para 17. No Brasil, porém, o projeto de lei que institui a EEPC está tramitando na Câmara dos Deputados desde 1994.

Veja também:

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