Seu bolso
CONSÓRCIO DE CARRO USADO
Veja o que fazer para escolher bem a empresa
e o automóvel
Regulamentados por uma portaria do Banco Central em fevereiro passado, os consórcios de carros usados ganharam impulso em março e, segundo as empresas que já os estão oferecendo, ainda têm muito para crescer.
Em São Paulo, revendedoras de automóveis e administradoras de consórcios mais conhecidas já haviam fechado vários grupos de consorciados até o mês de abril, e os campeões de procura eram os grupos com prestações mais baixas, variando, em números redondos, entre 140 e 170 reais por mês. Pagando essa prestação durante 60 meses dá para comprar um carro popular básico – um Gol 1000 ou um Uno Mille, por exemplo – com no máximo três anos de uso. O que quer dizer o seguinte: quem for sorteado ou der lance vencedor em 1999 poderá comprar um carro usado de 98, 97 ou 96.
Fazendo contas
Suponha que você entre num consórcio cuja carta de crédito se baseia num Ford Ka básico zero quilômetro que, no começo de abril passado, custava R$ 11.269,00 (sem qualquer desconto). Para conceder uma carta de crédito igual a 70% do valor desse carro zero, uma concessionária de São Paulo estava oferecendo o seguinte plano, em abril passado:
Valor da carta de crédito que o consorciado receberá: R$ 7.888,30.
Valor da prestação: R$ 166,00.
Valor a pagar (60 × R$ 166,00): R$ 9.960,00.
Diferença entre o pago e a carta de crédito:
R$ 2.071,70 (corresponde, aproximadamente, a 15% de taxa de administração e 5% de fundo de reserva).
Devolução do fundo de reserva ao final: R$ 517,93.
Total que o consorciado recebe: R$ 8.406,23 (carta de crédito mais fundo de reserva).
Total que a empresa embolsa: R$ 1.553,78 (taxa de administração).
Há consórcios cujos planos já prevêem o aumento do valor das prestações a partir de um certo tempo. Mas as prestações poderão variar também de acordo com a evolução do preço do carro zero-quilômetro.
Seja como for, é importante fazer mais uma conta. Supondo que, qualquer que seja a inflação, incidirá igualmente sobre a prestação do consórcio e o rendimento de uma caderneta de poupança, é simples concluir que, se você puser a prestação de R$ 166,00 na poupança, em 50 meses terá praticamente o mesmo dinheiro da carta de crédito mais o fundo de reserva. Quer dizer: ganhará 10 meses! O único “problema” é ser disciplinado e reservar aquele valor todo mês.
Portanto, o consórcio só ofereceria duas vantagens: a primeira é a possibilidade de ser sorteado logo nos primeiros meses e receber mais depressa o carro; a segunda, a de poder dar um lance de 25% a 30% e levar o carro antes dos outros. De qualquer forma, sempre custaria uns dez meses a mais de prestações.
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