Como todos os anos, a história se repete. É Natal. É tempo de trânsito parado à frente dos shoppings e de lojas apinhadas de consumidores. Se fazer compras é inevitável, então é melhor que elas sejam bem-feitas. Você vai ver nestas páginas algumas dicas que nós selecionamos com base nas pesquisas feitas pelos técnicos do IDEC ao longo deste ano. Com estas sugestões, esperamos que você possa realmente economizar em suas compras de Natal, evitar problemas futuros com pagamentos ou produtos e, ainda, comprar presentes que agradem a quem os receber.
Antes de comprar
Pesquise - Confira preços e produtos. Use o telefone, veja os jornais, consulte os sites das lojas. Assim, você pode prever quais lojas irá visitar e até quanto você pretende pagar, o que vai resultar em economia de tempo e de dinheiro. Lembre que preços e taxas de juros podem variar até entre lojas da mesma rede.
Reflita para escolher - Aproveite a pesquisa para decidir o que comprar. Tome cuidado com a propaganda e reflita: o produto é bom e útil para o presenteado ou é só um modismo? Outro fato que costuma ocorrer, sobretudo quando os pais compram presentes para os filhos menores: os adultos adquirem não o que é interessante para as crianças, mas aquilo que eles querem ganhar. E se você pretende comprar um produto mais sofisticado, procure conhecê-lo bem, para evitar comprar, num acesso de entusiasmo, acessórios que se mostrarão desnecessários mais tarde.
Informações do produto - Os produtos devem ter instruções em português. A última novidade da tecnologia pode ser inútil se o manual estiver em outro idioma. Se você comprar produtos importados, confira se há assistência técnica e peças de reposição no Brasil. Você pode ainda exigir que o produto seja colocado em funcionamento à sua frente, na loja. Na pág. 8 desta edição você encontra algumas dicas especiais para a compra de brinquedos.
Informações da loja - Você tem o direito de saber da loja, antes de fechar o negócio, qual o preço do produto (à vista e a prazo), as formas de pagamento, os juros aplicados (no caso de pagamento parcelado) e os valores da multa e dos juros por atraso no pagamento das prestações. Se você comprar em prestações e quiser antecipar a quitação da dívida, terá direito à redução proporcional dos juros.
Negociando o preço
Forma de pagamento - Entre várias opções, a melhor é a do menor preço à vista. Se não for possível pagar tudo de uma vez, prefira a loja cujo total a prazo seja menor.
Pechinche - Se a meta é comprar algo grande, como um eletrodoméstico, você pode tentar um desconto. De modo geral, os vendedores estão preparados para dar abatimentos - desde que o freguês peça.
Táticas - Para conseguir um desconto, é preciso ser paciente. Escute o vendedor. Quanto mais tempo ele dedicar a você, menos quererá perder a chance de fazer negócio. Outras boas propostas são pagar em dinheiro e à vista e dizer ao vendedor que você está fazendo um "leilão" entre as lojas (muitos atendentes dizem de cara que "cobrimos qualquer oferta").
Obstáculos - A maior dificuldade para conseguir uma pechincha é a figura do gerente. Muitas vezes ele é o único que pode autorizar o desconto, mas, curiosamente, nunca está no local. Cuidado ainda com grandes descontos oferecidos: às vezes, a loja faz assim porque o preço inicial é muito alto. E prepare-se para penar se quiser pechinchar em hipermercados: às vezes, você nem encontra o vendedor.
Pagamento em prestações
Juros - O problema das compras a prazo é que, disfarçada naquelas "suaves prestações mensais", pode estar uma taxa de juros astronômica. Por isso, você sempre deve comparar o total a prazo com o preço à vista. Quanto maior o número de prestações, mais caro fica o preço final. Para dar um exemplo, com juros de 10% ao mês, um produto comprado em 24 prestações terá custado, ao final do pagamento, 2,5 vezes seu preço à vista.
Armadilhas - Cuidado: nem sempre a menor taxa de juros é a melhor compra. Lojas que oferecem pagamento em "x vezes sem juros" já embutiram a taxa no preço inicial do produto. Por isso, a mercadoria nesses locais acaba saindo normalmente mais cara. Outro problema é que, na maioria dos casos, nem sempre a taxa de juros informada é efetivamente aplicada. Na verdade, nem sempre ela é sequer informada.
Poupe - Se você pensa em comprar algo mais caro, mas não necessariamente para já, experimente poupar o dinheiro, até pensando no Natal do próximo ano. Por exemplo: depositando mensalmente em uma poupança o valor da prestação de uma geladeira, a partir de hoje, você poderá ter, em dezembro de 2000, o dinheiro suficiente para comprar o aparelho à vista. Se você quisesse comprá-la hoje, talvez tivesse de passar dois anos pagando prestações, e gastaria duas vezes o que poupou.
Cheque ou cartão?
Com cartão - O preço à vista deve valer também para o pagamento com cartão de crédito. Se o vendedor insistir em um preço maior, mude de loja e reclame ao Procon.
Com cheque - Na hora de preenchê-lo, tome alguns cuidados: use sua própria caneta e não deixe espaços em branco. Certifique-se também se sua conta tem fundos. Duas apresentações de um cheque sem fundos levam o nome do emitente para listas negras, como a Serasa e o SPC, o que acarreta uma série de penalidades e muitas dores de cabeça.
Com pré-datado - Se você pagar desta maneira, coloque o nome do favorecido, não endosse o cheque e escreva a data em que ele deverá ser depositado. Também é aconselhável registrar o número do cheque na nota fiscal. Desse modo, se o cheque for apresentado antes da data combinada, você poderá reclamar na Justiça, com base no Código de Defesa do Consumidor, que o acordo descrito no cheque não foi cumprido pelo comerciante.
Sustação - Você pode até pedir para sustar o cheque emitido para pagar uma compra que acabou lhe acarretando problemas (quando o produto entregue for diferente do solicitado, por exemplo), mas deve ter muito cuidado. É melhor consultar primeiro um advogado.
Sem dívidas - Pagar com cartão e depois entrar no crédito rotativo (pagar a cota mínima da fatura e rolar a dívida para o mês seguinte), nem pensar. Os juros do crédito rotativo são tão altos que podem até levar à inadimplência. O mesmo vale para quem entra no limite do cheque especial, com seus juros abusivos.
Problemas depois da compra?
Peça nota - A nota fiscal é o seu comprovante de compra para poder reclamar em caso de defeito do produto. Produtos estrangeiros contrabandeados não têm garantia nem nota fiscal, e se derem defeito você não terá como reclamar.
Como reclamar - Se você comprar um produto e ele tiver algum defeito, tente primeiro resolver o problema diretamente com o fornecedor. Reclame à loja ou ao fabricante por escrito, exigindo uma solução em trinta dias. Se, ao final desse prazo, seu problema não for resolvido, o Código do Consumidor diz que você poderá optar por uma das três alternativas seguintes: substituição do produto por outro igual (ou similar, com o devido acerto do preço); devolução do dinheiro, corrigido; abatimento proporcional do preço. O prazo para apresentar a reclamação é de noventa dias para produtos duráveis (trinta dias para perecíveis), contados a partir do momento da manifestação do defeito. É por isso que é importante fazer a reclamação por escrito: para deixá-la documentada.
Na Justiça - Se não funcionar a conversa com o fornecedor - ou se ele tiver sumido do mapa - seu último recurso será os tribunais. Antes disso, órgãos de defesa do consumidor, como o Procon ou o IDEC (para os associados), podem orientá-lo, até mesmo para confirmar se o fornecedor agiu errado, e intermediar o contato com ele.
Só com defeito - Atenção: o Código do Consumidor só garante o direito à troca do produto se ele tiver defeitos de fabricação ou se tiver sido comprado fora da loja. Se você não gostou da cor da camisa, a troca vai depender da boa vontade do lojista.
Veja também:
Compras fora da loja