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Todavia, uma das medidas do governo federal foi a de lançar em meados de dezembro de 2008 uma campanha de incentivo ao consumo, uma vez que o crescimento do mercado interno tem sido apontado como uma das razões pelas quais o Brasil tem resistido à crise mundial. O Idec, evidentemente, torce para que a economia brasileira se mantenha vigorosa e que os efeitos da crise não prejudiquem demasiadamente a sociedade, mas crê que uma campanha, neste momento atual, não deve simplesmente incentivar o consumo se não for acompanhada de alertas sobre o endividamento e de ações que combatam a oferta do crédito irresponsável e obscuro.
São conhecidas do consumidor as ofertas de crédito e financiamento pouco transparentes, sem a informação do custo real do dinheiro, das taxas de juros cobradas ao consumidor e do estabelecimento do compromisso contratual de maneira clara, inteligível e precisa. Do mesmo modo, são conhecidas as históricas taxas de juros extorsivas cobradas tanto pelo sistema financeiro (bancos e financeiras), seja de maneira direta, seja de maneira indireta (por meio das redes de varejo).
Assim, cabe ao poder público exercer seu dever de fiscalizar a oferta de crédito – por meio do Banco Central – e de tomar iniciativas concretas para a promover a queda dos juros reais. As últimas medidas anunciadas pelos bancos federais – Caixa Econômica Federal e banco do Brasil – no sentido de baixar os juros praticados em empréstimos e financiamentos ainda não surtiram efeito significativo no mercado. O governo pode e deve fazer com que todo o sistema financeiro diminua suas margens de lucro oriundas da concessão de crédito, sobretudo pela diminuição do enorme “spread” (a diferença entre o que o banco paga ao captar o dinheiro no sistema e o que cobra do tomador do dinheiro).
Diante de tantas incertezas referentes a essa fase turbulenta da economia mundial, o Idec levantou algumas dicas que podem auxiliar os consumidores brasileiros a mudarem algumas práticas do dia-a-dia e que podem servir de prevenção.
Proteção do dinheiro – Descarte o ouro, pois, no Brasil, ele não tem liquidez e como é o banco quem guarda as barras, é preciso pagar uma taxa de custódia. Se você tiver menos que R$ 1 mil, aplique na poupança, onde não há incidência de taxa de administração nem de imposto de renda. Se tiver mais que isso e preferir um investimento seguro e conservador, aplique em CDBs (Certificado de Depósito Bancário), títulos de renda fixa emitidos por bancos comerciais e de baixo risco. Títulos do governo também são uma opção;
Financiamentos novos – Evite-os, sobretudo os mais longos. Como as taxas são pré-fixadas, tendem a permanecer altas mesmo se o mercado baixar os valores futuramente; caso seja inevitável contrair um empréstimo ou financiamento;
Compra de imóveis - Deixe a compra para quando acabar a crise e os bancos reduzirem os juros dos financiamentos. Se for inevitável, busque uma taxa que não ultrapasse 1% ao mês;
Compra de carro ou bem de alto valor – Tente pagar à vista e obter o máximo de desconto. Juros nestes financiamentos são elevados. Taxas acima de 3% ao mês, para financiamentos acima de 48 meses, por exemplo, devem ser evitadas.certifique-se das taxas reais, compare-as e exija um contrato;
Compra de dólar – Só deve comprar a moeda quem vai viajar imediatamente. Para outra finalidade, o ideal é esperar o valor cair novamente, salvo se tiver que quitar dívidas na moeda.
Compra de demais produtos - Dê preferência a produtos nacionais; em compras de gêneros alimentícios, priorize os produtos da temporada;
Utilize o dinheiro do décimo terceiro ou de outras formas de poupança para quitar dívidas antigas, sobretudo aquelas mais longas, e exija o abatimento proporcional dos juros futuros;
Cartão de crédito e cheque especial - Use o cartão de crédito ou outras modalidades de crédito rotativo (cheque especial, por exemplo) o mínimo possível e procure sempre quitar a totalidade das faturas. |