• RECEBA NOSSOS INFORMES
  • 23 de maio de 2017

Revista do Idec

Independente e sem publicidade, com matérias exclusivas para associados e assinantes

Revista nº210 - Jan/Fev 2017
Pesquisa - Alimentos

Quanto mais integral, melhor

IMAGEM DE DESTAQUE

Pesquisa do Idec aponta que, para a maioria dos consumidores, apenas alimentos com mais de 50% de cereais integrais devem ser classificados como tal no rótulo

A oferta de alimentos integrais vem aumentando nos últimos anos. Facilmente, encontramos no supermercado uma variedade enorme de produtos desse tipo, desde macarrão até biscoitos recheados. Contudo, esse crescimento trouxe à tona a pergunta: o que um produto precisa conter para ser chamado de integral?

Uma pesquisa de opinião online realizada pelo Idec em novembro de 2016 constatou que, para 85,5% dos participantes, um produto só deveria utilizar o termo "integral" no rótulo se possuir, no mínimo, 50% de cereais integrais em sua composição. Desses consumidores, 48,6% consideram aceitável que o produto contenha entre 50% e 90% desse tipo de ingrediente; já 36,9% acreditam que 100% dos cereais deveriam ser integrais. A pesquisa obteve 944 respostas de internautas de todo o Brasil.

Muito diferente do que esperam os consumidores, hoje, no Brasil, não existem regras claras para um produto ser declarado integral. Com isso, alimentos que contêm quantidades pouco significativas ou nem apresentam cereal integral entre os seus componentes utilizam esse termo livremente.

A boa notícia é que, desde junho do ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vem se movimentando para criar uma nova regulamentação para esses alimentos. Considerando que novas regras devem surgir em breve, o objetivo da pesquisa foi saber a opinião dos maiores interessados no assunto: os consumidores. Veja, a seguir, os principais pontos em discussão.

INFORMAÇÃO OBSCURA

A iniciativa da Anvisa de regulamentar o assunto resultou de uma pesquisa realizada pelo Idec com biscoitos integrais, publicada em março de 2016 na REVISTA DO IDEC (edição no 205). O levantamento revelou que a ausência de critérios, em muitos casos, confunde o consumidor. Apenas 3 de 14 biscoitos avaliados continham farinha de trigo integral ou cereal como principal ingrediente; seis deles tinham mais farinha refinada do que integral e cinco nem continham farinha ou cereais integrais em sua fórmula.

Para obter essa informação, hoje é preciso consultar a lista de ingredientes, que apresenta a composição do alimento em ordem decrescente: o primeiro da lista é o que está presente em maior quantidade, e o último, em menor. Mas muita gente desconhece essa regra. "Entre o público leigo, pouquíssimas pessoas leem a lista de ingredientes para saber se o alimento é integral ou não. A maioria acredita no que está escrito no rótulo", afirma Mariana Garcia, nutricionista do Idec.

Embora a lista de ingredientes seja uma fonte de informação importante, ela é limitada – não dá para saber a quantidade exata de cereais integrais, apenas se tem mais ou menos do que refinados (alguns fabricantes informam o percentual na lista, mas não são obrigados). Além disso, a lista também pode confundir.

Hoje, muitos fabricantes utilizam farinha de trigo reconstituída na formulação de produtos integrais. Contudo, 67,2% dos participantes da pesquisa afirmaram não saber o que significa esse termo; entre os que o conheciam, só 25,4% acertaram sua definição. Preocupa ainda mais a confusão que esse termo causa ao se considerar que parte significativa das pessoas que respondeu ao questionário é profissional da área da saúde (23,7%) e possui nível elevado de escolaridade (37,7% são pós-graduados).

A farinha de trigo reconstituída é formada pela mistura de farinha refinada e farelo de trigo, um dos constituintes separados do trigo integral durante o processo de refino. As indústrias do setor alegam que o uso desse ingrediente mantém a composição "integral" do produto, pois adiciona fibras a ele. Mas a nutricionista do Idec esclarece que não é bem assim. "O farelo de trigo tem mais fibras, mas o grãointegral não é só isso, ele tem outros nutrientes que se perdem no processo de refino", explica. "Ao utilizar esse tipo de ingrediente em vez do grão integral, a indústria poderia alegar no rótulo que o produto contém mais fibras, mas não chamar esses alimentos de integrais", defende.

Durante a pesquisa, após a definição de farinha de trigo reconstituída ser apresentada, 92,7% dos participantes da pesquisa consideraram que produtos formulados com esses ingredientes não podem ser chamados de integrais.

IMAGEM DE DESTAQUE

Outras matérias dessa edição

Revista nº210 - Jan/Fev 2017

Outras matérias dessa edição

Todas edições da revista

Selecione o ano:

Eu apoio o Idec

Junte-se à luta pelos direitos dos consumidores. O Idec é feito por pessoas como você!

"Após ouvir de amigos elogios às ações do Idec em defesa dos direitos do consumidor, passei a acompanhar suas atividades por meio de seu site. E em janeiro deste ano tornei-me associado para poder apoiar essas ações."

José Silva - consultor de marketing

Associados já recebem a revista. Pessoas Jurídicas podem fazer assinatura. Assine agora!

  • Enquetes

    Alimentos

    Você é a favor de manter o símbolo "T" no rótulo para identificar o uso de transgênicos?

RECEBA NOSSOS INFORMES
SIGA O
Linked.in RSS Twitter Facebook