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  Plano Verão afrontou 50 milhões de poupadores  
 

 

 
 

A implementação do Plano Verão, em janeiro de 1989, afrontou 50 milhões de brasileiros ao frustrar suas expectativas de segurança e, para boa parte deles, de contar com recursos para momentos imprevistos. Ao invés de manterem suas aplicações disponíveis, os poupadores viram 20,46% de seus recursos serem indevidamente canalizados para os bancos.

Até o Plano Real, as instituições financeiras contavam com uma importante fonte de receita representada pelas transferências inflacionárias: o float. Esse ganho era constituído pela perda do valor real dos depósitos à vista e pela correção dos depósitos bancários em valores abaixo da inflação. No período de cinco décadas, estima-se que, em média, as transferências do setor não bancário para o setor bancário, tenham sido da ordem de 2% do PIB, a cada ano, segundo a Análise do Ajuste do Sistema Financeiro no Brasil, realizada pelo Ministério da Fazenda em maio de 1997.

À época do Plano Verão, iniciado em janeiro de 1989, havia no Brasil cerca de 50 milhões de poupadores segundo a Pesquisa de comportamento financeiro da Associação Brasileira de Crédito e Poupança (Abecip) de 1987.

O principal ativo financeiro dos brasileiros era a caderneta de poupança. Ainda hoje, de acordo com as estatísticas do Banco Central, as cadernetas de poupança têm a confiança de 63 milhões de depositantes. A popularidade das cadernetas de poupança se explica pelos baixos depósitos exigidos, pela facilidade operacional, pela segurança e longa tradição.

Há 15 anos, 53% dos adultos possuíam alguma aplicação financeira, sendo a mais popular a caderneta de poupança. Dentre aqueles que possuíam alguma aplicação, 82% aplicavam na caderneta de poupança .

O principal motivo que levou os poupadores da época a abrir uma caderneta de poupança foi o de utilizar os recursos aí depositados em alguma eventual emergência, o que foi apontado por 44% das pessoas que foram entrevistadas na época pela Abecip.


A popularidade das cadernetas de poupança reflete-se também no perfil dos poupadores. Segundo o Banco Central, mais de 70% dos poupadores possuem até R$ 1.000,00 em conta (ver gráfico).

Gráfico: perfil dos poupadores, segundo o valor dos saldos



Fonte: Banco Central, dados referentes a dezembro de 1999. Elaboração Idec.

Faixas de valores (R$) %
Até 1.000,00 73
De 1.001,00 a 5.000,00 17
De 5.001,00 a 15.000,00 7
De 15.001,00 a 30.000,00 2
+ de 30.000,00 2

O artigo 17 da Lei 7.730, de 16/1/1989, alterou as regras até então vigentes para as cadernetas de poupança. Com a publicação da Lei, as novas regras só poderiam ser aplicadas a partir daí, portanto, não afetariam as poupanças abertas ou renovadas até 15/1/89.

Os bancos, no entanto, conferiram efeito retroativo e deixaram de remunerar as poupanças que aniversariavam na primeira quinzena de fevereiro/89 pelo IPC, que correspondeu a 42,72%, contra os 22,35% (LFT) então pagos pelos bancos, vindo a prejudicar todos os poupadores.

Os recursos aplicados em cadernetas de poupança à época da implementação do Plano Verão, há 15 anos, totalizavam R$194 bilhões, segundo o Banco Central. Os recursos desviados dos consumidores (20,46%) foram de R$ 39,7 bilhões que, mediante os rendimentos da caderneta de poupança, significam a respeitável quantia de R$ 100 bilhões.

Do total aplicado em cadernetas de poupança, por exemplo, o Banco do Brasil possuía cerca de 12,5% dos depósitos (Fonte: Relatório do Banco Central, 1988) e o Banco Itaú cerca de 8,5% (Fonte: Balanço Financeiro do Banco Itaú) . Traduzindo em valores estimados, os poupadores do Banco do Brasil deixaram de receber cerca de R$5 bilhões e os do Banco Itaú em torno de R$3,4 bilhões.

Os valores desviados dos poupadores, atualizados pelos rendimentos da poupança (fevereiro de 1989 a maio de 2004) representam, no caso do Banco do Brasil, em torno de R$12,3 bilhões e no caso do Banco Itaú, cerca de R$8,3 bilhões.

 

 

   
   
   
   
 
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