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TELEFONIA E TELECOMUNICAÇÕES |
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1 de Junho de 2006 |
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A conturbada história da TV digital no Brasil |
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(Fonte: Agência Estado, por Alexandre Barbosa)
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Apesar da decisão iminente, a novela em torno da TV digital ainda não acabou: a tomada da decisão, que deve acontecer em breve, deve ser tão tumultuada como a história dessa nova tecnologia no Brasil
Quando o governo brasileiro bater o martelo sobre qual será o padrão de TV digital a ser adotado no Brasil, e tudo indica que será o japonês, será só mais um capítulo numa novela que se arrasta pelo menos desde 1994.
Na época, o mercado nacional de TV, acompanhando a tendência internacional e o que acontecia nos EUA, estudava a transição dos sinais analógicos para digitais, o que traria benefícios como a melhora na qualidade de recepção de imagens e imagens em alta definição.
Foi o início de um caminho tortuoso, que passou a ser conduzido pela Anatel, Agência Nacional de Telecomunicações, a partir de 1998.
Já no final dos anos 90, representantes do governo, indústria e emissoras debatiam qual tecnologia disponível seria a mais adequada aos interesses brasileiros.
A dúvida ficava entre os sistemas japonês, europeu e americano, cada um com características que trariam dinâmicas diferentes para o país em termos do funcionamento da indústria de TV, do desenvolvimento tecnológico e da perspectiva de exportação de produtos eletrônicos.
No período, foram feitos vários testes e simulações que mostravam as vantagens e viabilidade técnica de cada um destes sistemas.
Sistema brasileiro
Tudo ficaria mais difícil a partir de 2003, quando o governo chegou à conclusão que as demandas brasileiras, que consideravam até usar a transição para as novas tecnologias como forma de promover a inclusão digital, eram tais que o país deveria criar um sistema próprio.
A indústria local temia que a decisão fosse semelhante à escolha do padrão Pal-M, sistema de sinais para a TV colorida adotado no Brasil por escolha do regime militar e que fez do país uma ilha em termos de tecnologia de sinais.
O governo separou então R$ 80 milhões para financiar as pesquisas em universidades e laboratórios brasileiros, R$ 48 milhões dos quais foram efetivamente investidos na criação de equipamentos para codificar o sinal e em hardware e software que seriam usados nos decodificadores.
Vários protótipos foram exibidos até que, no final do ano passado e no início deste ano, os investimentos no sistema brasileiro foram interrompidos e o governo federal passou a afirmar que escolheria entre um dos padrões iniciais: o americano, o europeu ou o japonês.
Semicondutores
Em meio ao debate que se seguiu nos primeiros meses deste ano, envolvendo Anatel, o ministro das Comunicações Hélio Costa, indústria e emissoras, o padrão japonês de TV digital acabou se sobressaindo sobre os demais, quer por que agradasse mais aos interesses das emissoras de TV (com o japonês, o sinal de TV digital poderia chegar diretamente a celulares sem passar pela rede das operadoras de telefonia), quer porque os japoneses tivessem oferecido melhores contrapartidas à decisão.
A moeda de troca oferecida pelos representantes deste padrão é a construção de uma fábrica de semicondutores no Brasil. A manufatura local destes componentes eletrônicos permitiria a transferência de tecnologias para o país, altamente dependente de componentes importados, e ainda abasteceria a indústria de produtos eletrônicos, elevando a competitividade do Brasil como plataforma exportadora.
Exceto para o Japão, já que o país é um dos maiores produtores mundiais de eletrônicos e não teria porque consumir equipamentos fabricados aqui - uma das queixas da indústria de eletrônicos e fonte de críticas feitas pelos representantes do padrão europeu.
A viabilidade destes investimentos também é incerta, já que o Brasil também pode ter de arcar com os custos da montagem desta indústria, o que exigiria investimentos públicos e, possivelmente, até mesmo recursos do BNDES.
De qualquer forma, a fábrica de semicondutores foi um dos motivos que levou ao adiamento da decisão sobre o padrão de TV digital, já que os representantes do governo brasileiro tentaram várias vezes negociar com japoneses e europeus a melhor contrapartida possível à escolha do padrão de sinais, que também pode ter influência regional, afetando as decisões sobre o tema em países vizinhos como Argentina, Uruguai e Paraguai.
Fora o incômodo do compasso de espera em torno da decisão, que restringe investimentos e negócios potenciais do setor audiovisual e da indústria de eletrônicos, a única certeza é que a transição do padrão analógico para o padrão digital deve movimentar aproximadamente R$ 7 bilhões, segundo estimativa do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CpQD). Deste montante, R$ 5 bilhões correspondem ao que será investido pela população na aquisição de aparelhos conversores (set-top boxes) e de TVs digitais.
Além disso, serão investidos R$ 1,5 bilhão na substituição dos sistemas de transmissão e outros R$ 500 milhões na digitalização dos estúdios das emissoras de televisão. |
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