» TPM nos livros
Atualmente, os portadores de deficiências visuais podem contar com novas tecnologias de voz para obter acesso a obras literárias, as quais, em outros tempos, seriam praticamente inacessíveis fisicamente.

Mas as Restrições Tecnológicas podem ser usadas para, por exemplo, limitar ou eliminar o uso dessas tecnologias para leitura de textos em voz alta, restringindo com isso a fruição por parte de um segmento da população.

Um dos mais conhecidos casos de restrição à leitura em voz alta envolveu a empresa Adobe (criadora do software Glassbook de leitura de e-books) e uma restrição a tal função para o livro "Alice no País das Maravilhas".

Caso "Alice no País das Maravilhas"

Ao baixar o software de leitura de e-books Glassbook, produzido pela Adobe, o usuário encontra à sua disposição um repertório de livros, tanto livres (em domínio público) quanto não-livres. Cada livro eletrônico vem acompanhado de uma lista de "permissões" delimitando o que pode e o que não pode ser feito com aquele conteúdo.

"Alice no País das Maravilhas" é um dos livros disponíveis. Os direitos autorais de seu criador, Lewis Carroll, já expiraram há décadas e o texto eletrônico pode ser encontrado livremente no site Projeto Gutenberg de domínio público.

Tal conteúdo foi digitalizado para o Glassbook e, surpreendentemente, uma série de restrições foi anexada a tal edição reformatada. Apesar de ser uma obra de domínio público, agora não mais se podia copiar, imprimir, emprestar ou ceder o livro. Mas o mais impressionante, se não cômica, é a proibição de leitura em voz alta.

De acordo com a Adobe, se você ler o e-book "Alice no País das Maravilhas" em voz alta para seus filhos, você terá violado o direito autoral da empresa.