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  Revista n° 123 - Julho de 2008 « índice da edição  
     
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Energia desperdiçada

 
     
 

Desligue todas as luzes de sua casa e feche as janelas para que o ambiente fique bastante escuro. Agora saia à procura das pequenas luzinhas que resistiram ao seu esforço e continuam acesas. Verdes, cor de laranja, vermelhas ou amarelas, elas são as luzes de stand-by, ou de modo de espera, responsáveis por nada menos que cerca de 15% do gasto de energia de uma residência, e estão em todos os eletrônicos que se possa imaginar: televisões, DVDs, microondas e até mesmo nas máquinas de lavar roupa.

Fruto da tecnologia que nos permite fazer quase tudo sem nos levantarmos, as vantagens do stand-by ficam muito aquém das desvantagens. Seu ponto positivo é que determinadas configurações podem ser salvas e, com isso, um único clique no controle remoto coloca o aparelho em funcionamento. Já os problemas vão desde uma conta de energia mais cara até o aumento da poluição do meio ambiente - isso porque a produção de energia é a grande responsável por emissões de gás carbônico (CO2) na atmosfera.

Para que o consumidor se conscientize do tamanho do prejuízo que sofre por deixar o stand-by passar despercebido, o Idec questionou fabricantes de televisão e de DVD, assim como as operadoras de TV por assinatura, a respeito de seus conversores, para saber quanto esses aparelhos gastam de energia (clique aqui para conferir). Tanto no modo stand-by quanto em uso.

Em média, as residências brasileiras consomem 200 kWh (quilowatts-hora) de energia elétrica por mês. "Se considerarmos que o gasto médio em stand-by de uma televisão [antiga] é de 5 W (watts) e que ela fica ´desligada´ por vinte horas em um dia, o consumo desse aparelho será de 3 kWh por mês", exemplifica Hamilton Pollis, chefe da Divisão de Planejamento do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), da Eletrobrás. Em uma casa de classe média com três televisores, por exemplo, só esses equipamentos desligados são responsáveis por quase 5% do valor da conta de luz.

SELO DE CLASSIFICAÇÃO
Para ajudar na escolha de novos aparelhos, a partir de 1º de agosto os televisores convencionais, de tubo, terão que estampar na embalagem o selo do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) com a especificação de seu gasto de energia em stand-by.

Desde o ano passado, no entanto, já é possível encontrar produtos com o selo, que até o fim de julho é voluntário. De acordo com Alexandre Novgorodcev, responsável por projetos do Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro, desde que os testes começaram, em 2007, muitos fabricantes vêm reduzindo o consumo do modo de espera. De fato, na pesquisa feita pelo Idec, muitos televisores ficariam com a classificação A.

O selo terá quatro categorias: A, B, C e D. Com o A ficarão apenas os aparelhos com consumo menor ou igual a 1 W. E, periodicamente, a classificação será revista, "até que todos os aparelhos consumam no máximo 1 W em modo de espera", enfatiza Alexandre.

É importante o consumidor ficar atento a essas mudanças: os gastos dos novos televisores serão menores em stand-by, mas os aparelhos que já estão em uso podem ser os vilões da conta de energia. Em um estudo de 2001, Antonio Mendes da Silva Filho, professor da Universidade Católica de Pernambuco, constatou que os televisores vendidos à época tinham um gasto de energia no modo de espera que variava de 1 W a 22 W. Uma dessas TVs antigas que mais gastam, se ficar no modo de espera vinte horas por dia, gastará 13,2 kWh ao mês! Ou seja, sozinha ela será responsável por quase 7% do gasto médio de uma residência.

Um teste que pode ser feito em casa para descobrir o gasto de energia no modo stand-by dos equipamentos, e quanto eles influenciam na conta de luz, é tirá-los da tomada quando não estiverem em uso - eliminando qualquer consumo em stand-by. No fim do mês, verifique de quanto foi a redução na conta, em relação ao mês anterior.

COMO É LÁ FORA
Com o selo do Inmetro, o Brasil virou pioneiro em informar ao consumidor o gasto de energia em stand-by - tanto para aparelhos com gasto ótimo quanto para os que mais consomem energia. Nos Estados Unidos, o consumidor encontra o selo Energy Star, que está nos aparelhos com potência menor ou igual a 1 W em modo de espera. Mas os produtos que gastam mais do que isso não trazem a informação. Na Austrália, o processo é o mesmo: apenas os produtos com gasto menor ou igual a 1 W são identificados.

Nesses países, no entanto, a preocupação com o consumo em stand-by ainda é maior do que no Brasil - tanto por parte do governo e das empresas, quanto por parte do consumidor residencial. "Há estudos e planos de ações dos governos dos Estados Unidos, do Canadá e da Austrália que buscam a eficiência energética - não apenas no uso de fontes de energia renováveis, mas também no consumo eficiente dos aparelhos. Essas iniciativas objetivam a redução do consumo em cerca de 75% no modo standby até 2015", afirma Antonio Mendes. "No Brasil, a Lei nº 10.295, de 2001, que dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia, é omissa quanto à questão do consumo no modo stand-by."

Na União Européia, de acordo com Alexandre Novgorodcev, do Inmetro, também há projetos que incentivam a redução do consumo de energia no modo de espera e que limitam esse consumo, a partir de 2015, a 1 W. Nesses países, contudo, os aparelhos não recebem até hoje selos informando o gasto de energia nesse modo.


 
   
   
   
   
   
   
 
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