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Apesar de sua indiscutível importância, ainda há inúmeras barreiras
para o acesso à banda larga no país, sem falar da qualidade, que deixa
muito a desejar. Para o Idec, a solução desses e de outros problemas
passa pela definição da internet rápida como um serviço público.
A banda larga no Brasil tem "só" três problemas:
"é para poucos, cara e lenta". Tal
definição foi dada pelo coordenador do
Programa de Inclusão Digital do governo federal,
César Alvarez, no 53o Painel Telebrasil, evento
dos empresários de telecomunicações realizado
no fim de agosto. De fato, o panorama do setor
deixa claro que ainda há um enorme fosso entre
a maioria da população e a internet, tanto pela
indisponibilidade do serviço em regiões de baixo
interesse comercial para as operadoras quanto
por seu preço proibitivo. E quem pode contratar
tem de se contentar com um serviço de baixíssima
qualidade.
Não foi por acaso que o governo reconheceu
que a forma como o serviço vem sendo prestado
é insuficiente para a realidade socioeconômica
do país. Um comitê interministerial estuda o
lançamento de um Plano Nacional de Banda
Larga (PNBL), que visa melhorar a infraestrutura
da oferta de internet. O projeto ainda está engatinhando,
mas já surgem algumas propostas,
como o uso das redes ociosas das empresas
estatais Petrobras, Furnas, Chesf e Eletronet para
fomentar a concorrência, por meio do aluguel
dessas redes para prestadores privados do
serviço, e também por meio de ofertas de acesso
ao consumidor feitas por prefeituras e instituições
sem fins lucrativos. Apesar de a medida ser
benéfica, para o Idec é importante que o PNBL
não fique restrito a uma iniciativa específica,
como um "reparo" em um modelo que dá sinais
claros de deficiência.
Parte dos problemas é decorrente
da falta de concorrência
no setor, concentrado
nas mãos de três grupos (Oi-BrT,
Telefônica e Net). O Idec entende que para a efetiva
universalização da banda larga é fundamental
que o Estado assuma a responsabilidade neste
processo, uma vez que a internet tem hoje evidente
importância na vida cultural, social e econômica
da sociedade. Diante da essencialidade do
serviço, o Instituto defende que a banda larga seja
prestada em regime público, como a telefonia fixa,
o que garante que o governo possa impor regras
e estabelecer preços.
PARA POUCOS
Em 2007, o Brasil ocupava a 72a posição no
ranking mundial de penetração de internet, que
comparou 190 países. Em relação à banda larga,
estávamos na 58a posição entre 110 nações - atrás
do Chile (38o) e do México (57o), por exemplo.
Os dados são do Relatório da Economia da
Informação 2007-2008, da Conferência das Nações
Unidas para o Desenvolvimento.
De acordo com a pesquisa sobre o uso das Tecnologias
da Informação e da Comunicação (TICs)
no Brasil, realizada pelo Comitê Gestor da Internet
do Brasil (CGI.br) em 2008, 80% dos domicílios
urbanos do país ainda não têm acesso à
internet, apesar de pelo menos 28% das famílias
já possuírem computador. Boa parte dos usuários
de internet no país (48%) precisa recorrer a centros
de acesso pago, como lan houses, 21% só
têm acesso no trabalho, e 14%, apenas na escola.
Da ínfima minoria que possui conexão residencial,
somente 58% têm banda larga. Pelo menos
31% dos acessos ainda são pela velha e lenta
linha discada. Mas se considerarmos que 10%
dos entrevistados não souberam responder qual
é o seu tipo de conexão, esse número pode ser
ainda maior.
Ao verificar o número de usuários de internet
no país por classe social, é fácil identificar que a
barreira para o acesso é o preço. Enquanto na
classe A, que representa apenas 3% da população,
89% usam a rede mundial de computadores, na C, composta por 54% dos brasileiros,
esse número cai para 38%. Para Diogo Moyses,
consultor técnico do Idec, tais números deixam
claro que há algo errado no nosso modelo de
serviço de banda larga. "Ele foi concebido como
se a população brasileira pertencesse somente às
classes alta e média, mas essa não é a realidade
do país", declara.
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