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O Idec considera a
banda larga um serviço
essencial ao cidadão,
por isso luta por sua
universalização. Porém,
pesquisa realizada pelo
Instituto constata que
ela é lenta, cara e
restrita a uma minoria.
A concorrência quase inexistente é
uma das responsáveis pelos altos
preços da banda larga no Brasil.
Essa foi uma das constatações da
pesquisa feita pelo Idec com cinco
operadoras - Ajato, GVT, NET, Oi e
Telefônica -, que revela ainda que alguma
empresas oferecem planos distintos
em cada uma das cidades pesquisadas e
que os preços podem variar muito; que
os consumidores não são informados
de forma adequada sobre o serviço ofertado;
e que os contratos apresentam
cláusulas abusivas. "Nós queríamos
buscar evidências que comprovassem
que o atual cenário do serviço de banda
larga no Brasil precisa mudar, tanto na
esfera normativa quanto na fiscalizatória.
Essa mudança é necessária para
que todas as pessoas, independentemente
da condição socioeconômica ou
da localidade, tenham acesso a um serviço
de banda larga de qualidade e em
harmonia com a lei consumerista", justifica
Estela Guerrini, advogada do Idec
responsável pela pesquisa.
João Brant, coordenador do Intervozes
- Coletivo Brasil de Comunicação
(organização que trabalha pela efetivação
do direito à comunicação no Brasil),
vê dois problemas em relação à concorrência
(ou à falta dela): "práticas anticompetitivas,
de formação de cartel no
setor, e falta de deveres das empresas,
que podem atingir um público restrito
e atuar só nas áreas mais rentáveis".
Restam ao consumidor preços altos
e serviço insatisfatório. "Defendo a necessidade de se adotar o regime público
para o serviço de banda larga.
Assim poderíamos garantir a universalização
dos serviços e o controle tarifário",
declara Brant. Afinal, o Brasil
possui um dos serviços de banda larga
mais caros do mundo. Para ter banda
larga em casa o brasileiro paga em
média U$S 28, valor que chega a
4,58% da renda per capita no país.
Para termos uma ideia, nos Estados
Unidos o valor é de apenas 0,5% da
renda per capita dos americanos, e na
França é de 1,02%.
De fato, as grandes proporções do
Brasil e suas desigualdades podem
encarecer o serviço, principalmente
em regiões mais afastadas e com
menor poder aquisitivo. A questão é
que todos, independentemente do
local onde vivem, deveriam ter acesso
a serviços de banda larga. "Isso é o
que chamamos de universalização",
resume Estela. Para Brant, é preciso
que a Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel) tome as rédeas
da situação. "A agência se omite de
suas obrigações como órgão regulador
e permite situações danosas ao
usuário", aponta.
LENTA E CARA
A pesquisa do Idec verificou quanto
o consumidor paga para ter internet
em casa. Veja os valores mínimos e
máximos cobrados pelas operadoras
pesquisadas em Belo Horizonte (MG),
Goiânia (GO), Porto Alegre (RS),
Recife (PE), Rio Branco (AC) e São
Paulo (SP) na tabela à página 23. Se
compararmos os valores pagos por
quem tem o plano de 4
Mbps (megabits por segundo) da Ajato
e por quem tem o plano de
1 Mbps da GVT, por exemplo, veremos
que os segundos gastam três
vezes mais que os primeiros, por uma
velocidade quatro vezes menor.
Mas apesar de pagar caro, o consumidor
brasileiro não recebe um bom
serviço. Segundo levantamento recente
realizado pela empresa norte-americana
Akamai, a velocidade de tráfego
da internet brasileira é uma das mais
lentas do mundo. A pesquisa mostra
que a velocidade média da web aqui é
de 1.085 Kbps (quilobits por segundo),
93% menor que a velocidade média da
Coreia do Sul, líder do ranking. Além
disso, 20% das conexões no país têm
velocidade inferior a 256 Kbps, o que
nem de longe se aproxima da velocidade
mínima estabelecida pela União
Internacional de Telecomunicações
(UIT) - algo entre 1,5 e 2 Mbps.
A banda larga no Brasil é também
extremamente cara quando comparada
à de outros países. Segundo dados
da pesquisa realizada em 2007 pela
Associação Brasileira de Prestadoras
de Serviços de Telecomunicações
Competitivas (TelComp), que comparou
os preços praticados por operadoras
brasileiras aos de empresas
que atuam na Europa, no Japão e nos
Estados Unidos, o megabit oferecido
em Manaus (AM), por exemplo, é 395
vezes mais caro que no Japão.
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Em maio foi divulgada pesquisa do DataFolha sobre o perfil do internauta no Brasil,
que mostra que somente 50% da população acima de 16 anos tem acesso à internet.
A penetração do serviço por regiões também é irregular: 46% no Sudeste, 24%
no Nordeste, 16% no Norte e Centro-Oeste, e 14% no Sul. Ainda de acordo com essa
pesquisa, somente 30% daqueles que acessam a rede o fazem em casa.
Já pesquisa realizada pelo Comitê Gestor da Internet (CGI) comprova que a banda
larga brasileira é caracterizada por baixas velocidades, e que o acesso à rede por
meio da banda larga ainda é reduzido e concentrado nas classes sociais mais altas.
De acordo com o estudo, 34% dos domicílios que possuem banda larga contam com
velocidade de até 256 Kbps, e 20%, de 256 Kbps a 1 Mbps.
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