A rede mundial de computadores surgiu em plena de Guerra Fria, quando os norte-americanos, temendo possíveis ataques soviéticos aos seus meios de comunicação convencionais, desenvolveram a Arpanet - Advanced Research Projects Agency Network, uma rede de comunicação que funcionava de maneira descentralizada. Se um dos pontos de conexão da rede fosse destruído, a comunicação entre os órgãos e unidades de defesa do país não seria interrompida porque a rede não dependia de um único meio para se interligar.
Na década de 1970, universidades e outras instituições de pesquisa obtiveram permissão para se conectar à Arpanet. Em alguns anos, a rede havia crescido exponencialmente, tornando seu protocolo original de troca de dados inadequado em face da alta quantidade de dados e informações que circulavam. O Network Control Protocol (NCP) foi substituído pelo TCP/IP (Transfer Control Protocol/Internet Protocol). O novo protocolo permitiu o crescimento praticamente ilimitado da rede, além de ter sido facilmente implementado em diferentes tipos de computador.
O TCP/IP é usado até hoje para transmitir informações pela internet. Os dados a serem comunicados – seja um e-mail, uma foto - são divididos em pequenas partes (pacotes de informação, ou datagramas), que são identificadas de forma a mostrar de onde vieram e para onde devem ir. Os pacotes recebem um cabeçalho que fornece informações como os endereços dos destinatários, prioridades, etc. Os pacotes são enviados de um computador para outro até alcançarem seu destino, onde eles são montados novamente para formar uma única informação – que pode ser um e-mail, uma foto.
No sistema de TCP/IP, cada computador (ou conjunto de computadores) que integra a Internet possui um número chamado IP, usado na identificação do cabeçalho dos pacotes de informação. É como um CEP virtual. Posteriormente, a essa camada de identificação dos dados foi anexada outra (DNS – Domain Name System), que relaciona os números a nomes. Isso permitiu a criação dos domínios, ou seja, os “endereços” dos websites, como “www.idec.org.br”.
O TCP/IP é tão eficaz que constitui, hoje, a essência do fenômeno da Convergência tecnológica. Assim, e cada vez mais, ao falarmos em TCP/IP, não estamos nos referindo apenas ao já tradicional ambiente de comunicação da Internet. Com a chegada da “voz sobre IP” e do “vídeo sobre IP”, a regulação do “mundo IP” deixa de ser apenas a regulação da Internet para passar a ser a regulação do processo de convergência e, portanto, do conjunto de todas as mídias digitalizadas.
No Brasil, os primeiros passos da Internet foram dados pela comunidade acadêmica, cujos esforços resultaram, no final da década de 80, em um projeto de pesquisa subordinada ao Ministério de Ciência e Tecnologia chamado Rede Nacional de Pesquisa (RNP). A missão do projeto era construir uma rede que interconectasse todas as universidades e centros de pesquisa brasileiros, especialmente aqueles com atividades relacionadas a redes de comunicação e computação. Como resultado da iniciativa, a RNP instalou o primeiro backbone IP brasileiro ligando o Rio a São Paulo, utilizado para prover serviços de correio eletrônico na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (mais conhecida como ECO-92), realizada em 1992 no Rio de Janeiro.
No final de 1994, a Embratel lançou em caráter experimental o serviço de acesso à Internet para usuários domésticos. No ano seguinte, o governo permitiu a abertura da exploração do serviço ao setor privado, impulsionando o surgimento no Brasil de diversos provedores de acesso, assim como grandes portais brasileiros de conteúdo e comércio eletrônico. Nessa época, o acesso era feito por linha discada, muito lento se comparado com os padrões atuais.
Atualmente, o acesso à Internet pelos consumidores pode ser feito por banda langa, e são duas as principais tecnologias usadas: o ADSL, ofertado pelas empresas concessionárias de telefonia fixa, e o Cable Modem, disponibilizado pelas operadoras de TV a cabo. Outras tecnologias baseadas em redes sem fio, como o WiFi e o WiMax, também permitem o acesso banda larga. Estas últimas, por terem um custo de implantação reduzido, atualmente despertam o interesse dos países menos desenvolvidos como o Brasil. Há ainda as tecnologias por satélite e de fibra ótica (FTTC/FTTH – Fiber to the curb / Fiber to the home), ainda não utilizadas no Brasil em escala significativa.
Para oferecer o serviço de telecomunicações que faz a conexão entre a residência e os servidores do provedor de acesso a Internet, as operadoras precisam obter junto à Anatel uma autorização de Serviço de Comunicação Multimídia (SCM), prestado em regime privado. |