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Alimentos

Ministério da Saúde em campanha publicitária de empresa de fast-food

06 Jun 2011 - Por Mariana Ferraz

Nessa semana foi publicado o envolvimento do Ministério da Saúde em campanha publicitária da rede de lanchonetes da empresa McDonald’s no Brasil, especificamente em relação ao uso nas lojas da rede McDonald's de toalhas de bandeja que reproduzem, lado a lado, material educativo elaborado pelo Ministério da Saúde e publicidade dos produtos comercializados pela rede. 

Nessa semana foi publicado o envolvimento do Ministério da Saúde em campanha publicitária da rede de lanchonetes da empresa McDonald’s no Brasil, especificamente em relação ao uso nas lojas da rede McDonald's de toalhas de bandeja que reproduzem, lado a lado, material educativo elaborado pelo Ministério da Saúde e publicidade dos produtos comercializados pela rede.
 
O Ministério da Saúde tem um histórico de empenho para a promoção da segurança alimentar e nutricional da população brasileira, priorizando a promoção da alimentação saudável e por isso a notícia causou estranheza por parte da sociedade civil, acadêmica e entidades de defesa da saúde. Criticou-se principalmente o fato de que o objetivo da campanha da rede McDonald’s seja o de associar o consumo dos produtos que ela comercializa a comportamentos saudáveis e a induzir o consumidor a pensar que esses produtos deveriam ou poderiam ser consumidos frequentemente (‘alimentos do dia a dia’) e a negar que eles pudessem ser menos saudáveis do que alimentos tradicionais da dieta brasileira.
 
O contra-senso disso tudo é que a composição nutricional do cardápio do McDonad’s relativa à ingestão de um Big Mac acompanhada de uma porção média de batatas fritas, de um copo médio de refrigerante e de uma porção pequena do sorvete com calda da rede fornece dois terços do total de calorias que um adulto poderia consumir ao longo de todo o dia e praticamente todas as calorias diárias necessárias para uma criança. Se a opção for pelo sanduíche Big Tasty e por porções grandes dos acompanhamentos e sobremesa, as calorias ingeridas em uma única refeição alcançam o limite superior estabelecido para um adulto em todas as refeições do dia. A situação fica ainda mais grave se o cálculo da composição nutricional envolver a ingestão de nutrientes que aumentam o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e outras graves doenças crônicas. Por exemplo, o consumo de um único Big Tasty corresponde, segundo recomendações da Organização Mundial de Saúde adotadas pela ANVISA, a 63% de todo o sódio que o indivíduo poderia ingerir por dia e a 109% da ingestão diária máxima de gorduras saturadas.
 
Outras estratégias de marketing da referida empresa também são duramente criticadas por entidades de proteção ao consumidor e à criança, como por exemplo, a vinculação de brindes, jogos, personagens de desenho animado, ao consumo dos produtos alimentícios de fast food. Essas práticas se utilizam do universo lúdico infantil para estimular o consumo de alimentos que possuem majoritariamente altas taxas de gorduras, sódio e açúcares.
 
Interessante notar que na mesma semana em que se divulgou a parceria do Ministério da Saúde e McDonald’s, cerca de 550 médicos e demais profissionais de saúde, além diversas organizações não governamentais dos Estados Unidos, assinaram uma carta aberta com o objetivo de pedir a retirada de toda a publicidade empregada pela rede de fast food McDonald´s direcionada ao público infantil, incluindo a “aposentadoria” do mascote considerado carro-chefe da rede, o Ronald McDonald. Ativistas pelos direitos do consumidor nos EUA lançaram uma campanha[1] e enviaram uma carta à empresa assinada por centenas de profissionais de saúde, alegando que o menu oferecido pela rede vem contribuindo para a criação de uma geração de crianças com obesidade e sobrepeso, além do grande impacto na saúde da população estadunidense como um todo. A carta solicitou que a rede pare de oferecer brinquedos e outros produtos de apelo infantil como brindes na compra das refeições, ricas em calorias, açúcar e gorduras.
 
Já no contexto brasileiro, a sociedade civil (reunindo acadêmicos, entidades de defesa da saúde e de consumidores) enviou cartas[2] ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, contestando a associação do Ministério com as estratégias de marketing da empresa.
 
Após o incidente, publicou-se nota no portal do Ministério da Saúde informando que o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) foi convidado pelo ministro para acompanhar a execução dos acordos de promoção de alimentação saudável entre o ministério e a indústria alimentar.
 
[1] http://retireronald.org/
 
[2] http://www.regulacaoalimentos.blogspot.com/

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